[DIÁLOGO MUSICAL]

Arlindo Cruz, Jorge Ben Jor, Racionais MC’S e Jazz.

[Ilustração: Hector Bernabó Carybé]

— — Esses intervalos inesperados atacam minha ansiedade. Ouvir música mobiliza muita energia. Tem que identificar quais instrumentos estão presentes, tem que interpretar a letra, observar que partes do corpo querem se mover ou quais as que até gostariam mas ainda não estão embriagadas o bastante.

–- E tudo isso que vai entrando pelos nossos ouvidos encontra o que já está lá dentro e então surge uma coisa diferente dentro de cada um de nós. É, não é coisa simples. Dia desses eu confundi um trompete com um saxofone.

— — Olha lá, é ele de novo, ele vai querer inovar. Não gosto de inovação, quero pot-pourri, quero cantar, quero externar, mexer minha boca, quero transpirar, passar uma noite no inferno.

— — Por isso que eu falo, cada coisa no seu lugar, cada som tem sua hora, porque eles interferem diretamente e decisivamente nos desdobramentos da coisa. Se você estiver numa situação em que não quer ter suas emoções sugestionadas, bota um Jorge Ben Jor. Seguro, vai por mim. Talvez os fãs me apedrejassem se eu falasse isso em público, mas essa que é a real. Tem letras e tradição, mas não te instiga a nada, enquanto ele estiver presente quem está no comando é você.

— — Verdade. Se for um jazz eu já não respondo por mim. Eu viro canibal ou uma criança esquecida na porta da escola.

— — Se quiser unir as pessoas coloca um Racionais.

— — Se estiver na dúvida mas quer manter os níveis de endorfina a níveis satisfatórios e constantes, coloca o Ao Vivo MTV do Arlindo Cruz e fique em paz, sente-se, tome seu trago e aprecie a paisagem.