[OLHOS NOS OLHOS]

Jordana Machado
Oct 12 · 1 min read

De perto era uma canoa, uma correnteza que te arrastava pra coragem.
A maior maldade de que tinha sido capaz foi impedir que uma família de formigas seguisse seu curso.
Sentia tanta falta de um cachorro que costumava acariciar a cabeça das pessoas da mesma maneira.
A maior lembrança do cheiro de um tio que te fazia ver o mundo de cabeça pra baixo.
Calor que deixa estática as sacadas muito boas e não disse nada por não saber o que dizer.
A alvorada jogava um giz na sua mão pra contar uma história.
Acaba de ganhar uma concha, e o tamanho dela é pra fazer lembrar que os mistérios, até mesmo os do mar, são feitos de detalhes e isso é tudo e só.
As tripas da barriga dançaram com o vendaval que deu.
Bateu o cartão naquele negócio que aparece em filmes.
Ganhava uns poucos centos por mês.
Acertar as contas do passado.
Acertar as contas com o passado.
Acertar.
Somos pás imensas das torres de energia eólica.
Com 37 anos estaremos soltando poderes.
Usa o sobrenome da mãe.
O peso histórico e a energia raiz da criação.
Sobre, por cima de, à superfície, exteriormente.
Quantos eus por baixo do nome e sobrenomes?
Quantos sobres um nome pode guardar em suas profundezas?

Chorar é uma das emoções mais bonitas e doídas dessa vida.
O mundo está em chamas, só cabe uma única coisa na mala, volta pra buscar a maneira como Dominguinhos olha para Lenine em Arrebol.

https://www.youtube.com/watch?v=KbYuKdYmxFw