[PAPEL BRANCO]

Transparência suicida.

Isto é uma ordem muita séria.
Sejam benevolentes e compreensivas, queridas.
Não atormentem ainda mais uma mente já inquieta pela hereditariedade.
Vocês são muito mais que importantes para nós, amantes da palavra escrita.
Muitos de nós nem sabem ao certo de onde mesmo vocês vieram, e nem o que é feito pra que se tornem o que se tornam.
Mas o que importa não é o que vocês foram, mas o que vocês são. 
Não fiquem preocupadas, sejam nossas amantes também, pois a cada dia que passa cresce o número de seus admiradores e guardiões, que cuidam de vossas irmãs. Aquelas que ocuparam seus lugares.
Portanto, não sejam tão amedrontadoras para que não nos afugente as idéias.
Sejam acolhedoras, inspiradoras, desafiantes, carinhosas com nossas palavras que tanto gostam de beijar-lhes a frente, o verso, os cantos, as beiradas.
Ajude-nos a verbalizar nossa revolta e a denunciar toda mentira.
Ajude-nos.
A reconhecer nossos erros, a expressar nossas dores, a compartilhar nossos sonhos e devaneios em forma de bilhetes colados por fora da porta do quarto.
Ajude-nos.
A pedir pra comprar 6 pães, entregar o DVD na locadora, deixar a chave na caixa do correio, em forma de lista de obrigações que por sinal quase nunca é seguida.
Ajude-nos.
A compartilhar nossos medos, desejos, histórias, encontros, desencontros, sorrisos e lágrimas em forma de cartas/pensamentos para nossos melhores amigos e/ou suporte-técnico.
Ajude-nos.
A mostrar o quão grande, dolorosa e apesar de tudo regeneradora é nossa saudade em forma de longas cartas/monólogo que não serão enviadas porque agora vocês são abrigo e espaço.
E por aqui nunca sentirão a decepção do descaso, jamais serão ignoradas.
Neste caso, não servem de remediadoras ou explicativas.
Novamente peço que não se atormentem como eu quando as vejo sempre tão profundas.
Meu amor à vocês é incondicional.
Amém.