[SAÚDE MENTAL E MILITÂNCIA]
A psicofobia nos espaços políticos.
Uma pessoa da faculdade “teve uma crise” e largou o curso.
Uma pessoa da faculdade “surtou” na biblioteca.
Uma pessoa da faculdade tentou se matar.
Quantos casos? Tantos. Quantas palavras sobre? Silêncio.
Pouco se escreve sobre isso, pouco se fala sobre isso, pouco se debate sobre isso. Já há um termo. Psicofobia.
São situações delicadas, e que às vezes não falamos com receio de machucar mais ainda. Porém os machucados só ficam evidentes em casos extremos, e não precisa ser assim. Não pode ser assim.
Mas isso é uma questão de saúde pública, é uma questão que temos que falar sobre, cada dia isso fica mais evidente, urgente e na pauta do dia.
O ambiente universitário é só mais um entre todos os espaços que o capitalismo alcança e destroça. Pressões, prazos, esteriótipos, falta de todo tipo de assistência, hostilidade, mentiras, personagens, faz de conta, competição, risos, silêncios.
Outra coisa. Quando estamos nos espaços de discussão não fazemos a menor ideia de como se encontra a saúde mental das pessoas ali presentes, ou seja, acabamos por não fazer a menor noção do quão pode significar algo que possamos dizer ou fazer pra essas pessoas neste espaços.
Ou seja, mais um desafio para as militâncias, para que os espaços sejam de construção e não de destruição, para que os espaços sejam de vida e não de morte.
O capital deve morrer e não as pessoas que passam a se sentir inúteis, incapazes, não pertencentes ou não dignas através de práticas nocivas em espaços que deveriam ser de aprendizado e não de exclusão e isolamento.
Qual a qualidade da nossa militância?
Quando militamos estamos prestando atenção ao que?
Quando militamos estamos preocupados com o que?
Um salve à todas as pessoas adoecidas mentalmente e emocionalmente.
