Fonte: Shutterstock.com

Usando as Redes Sociais para falar sobre a vida na presença da diabetes

Um belo exemplo do emprego das redes sociais em prol da saúde

Por: Ronaldo Matos

“Você nunca sabe a força que tem, até que a sua única alternativa é ser forte” — Esta bonita frase (de autor desconhecido) retrata bem o comportamento de uma amiga de nome Noelly. Ela foi diagnosticada com Diabetes do Tipo 1 em 2015 e hoje usa seu conhecimento profissional (Nutrição) para compartilhar informações uteis que auxiliem outras pessoas com a doença.

Conheço a Noelly a pelo menos cinco anos e (trocadilhos a parte!) ela é um doce de pessoa, por mais que ela não assuma ser assim. (Também) Por conta disto a descoberta da diabetes se deu de forma moderada. Parte desta serenidade inicial, ocorreu pelo fato de que a única manifestação do problema nos momentos iniciais era cede excessiva. Algo que convenhamos é complicado identificar como um sintoma, quando já se tem o habito de beber bastante água. Até que em um dia ao acaso, ela resolveu fazer um teste de glicose e o resultado foi 374.

Como profissional de Nutrição, ela conhecia bem os valores de referências de uma glicose normal, e se deparar com o resultado foi um choque. E antes de realizar qualquer outro exame, ela já tinha a certeza que a causa era diabetes, o que posteriormente confirmou-se em consulta com endocrinologista. Com ele em mãos, começou a fazer uso de insulina, mas não foram dias tranquilos.

Na primeira semana eu fiquei deprimida, não entendia o por que de ter acontecido comigo, afinal eu levava uma vida saudável, praticava atividade física e não tinha histórico familiar de diabetes. Passei uns três dias assim, apavorada e sem entender (Noelly Dantas)

Superando o susto inicial e a mudança de rotina que agora era adaptada ao tratamento, ela voltou a ter uma vida normal, fazendo tudo aquilo que fazia antes do diagnóstico, associado as aplicações de insulinas e testes de glicose.

Enfrentando a ‘Nossa estranha mania de rotular’!

Os rótulos fazem parte de nossa vida, são eles que sugerem os atributos e valores que nós outorgamos a produtos. Uma prática comum e sem nenhum problema quando se trata de objetos. Contudo, temos uma mania estranha de rotular as pessoas, limitando todo o seu ser a uma única característica. Agora imagine o quanto rotular pode ser perigoso e agressivo quando direcionado a uma pessoa enfrentando problemas de saúde.

Agora a gente acha que as pessoas tem pena da gente, tão olhando de uma outra forma, por isso eu não gosto de sair, acho que tem pena da gente, sei lá, acho diferente […]. Passei um ano com depressão. (Florzinha — Paciente com diabetes que teve um membro amputado diante da progressão da doença) Fonte: http://www.scielo.br/pdf/reben/v65n2/v65n2a07.pdf

Sendo ela uma pessoa consciente de tudo isso e mesmo não tendo nenhuma necessidade de tornar público sobre o problema, a Noelly resolveu dividir com os amigos, através de suas redes sociais esta nova etapa de sua vida.

Não foi fácil! Eu tive alguns receios principalmente por ficar pensando no que as pessoas iam achar de mim. Se iriam ter preconceito ou pena. Mas a vontade de falar sobre diabetes partiu justamente da falta de informação, do preconceito e da visão erronia que as pessoas tem da diabetes.

“Mas você não parece que tem diabetes”

[Noelly Dantas] Uma das coisas que eu mais escuto quando falo que tenho diabetes é: “Mas você não parece que tem diabetes”. Aí eu ficava me perguntando, qual a aparência da diabetes? Eu tenho que ser obesa pra parecer diabética? Eu tenho que ter um pé amputado ou ser cega?

E quando eu falo que uso insulina é hilário, as pessoas fazem uma cara que é um misto de horror e pena. Parece péssimo, mas já se tornou engraçado pra mim. E é por isso que eu resolvi assumir.

Quero que todo mundo saiba que um diabético pode viver normalmente e que eu não me tornei um Grindylow de pele verde e muito menos uma pessoa doente.

Doença são as complicações causadas por uma diabetes descompensada, que não é o meu caso. Aproveitando pra esclarecer pontos primordiais, de forma bem resumida:

Diabetes tipo 1 é uma doença sem causa aparente. O sistema imune começa a atacar e destruir as células que produzem insulina. Fazendo com que o portador utilize injeções de insulina diariamente. O tratamento consiste em fazer manualmente, o trabalho do seu pâncreas. Como uma amiga diz: “Eu posso fazer tudo, menos produzir insulina!”


Equilibrando a Diabetes no Instagram

Indo contra a corrente que provoca ao Instagram o estigma de rede social onde tudo é muito superficial, ela resolveu usar o aplicativo para compartilhar informações sobre a diabetes e desmitificar histórias equivocadas ou exageradas, como por exemplo: “Diabético não pode comer doce ou chocolate”.

A escolha do Instagram se deu por considera a rede social, uma ferramente de fácil acesso com a capacidade de atingir milhões de pessoas diariamente, interessadas num determinado assunto.

O @equilibrandoadiabetes foi a ferramenta que eu encontrei para desmistificar e compartilhar informações sobre diabetes. Gosto de compartilhar informações que TODO diabético deve saber. Dicas simples para melhorar a nossa vida e ajudar no controle glicêmico. Além de compartilhar um pouco da minha vida também. Parece bobagem, mas é muito bom ver a rotina de alguém que passa pelo mesmo problema que você. Isso facilita as coisas, te faz ver que você não está sozinho, e que não é o fim do mundo.

Disseminando Conhecimento

Reprovando a máxima de “Se está na internet é verdade”, Noelly agregou a carreira de Nutricionista algumas especializações como por exemplo: Contagem de Carboidratos, Exames Bioquímicos em Diabetes e Atualidade em Diabetes, mostrando que tem responsabilidade em transmitir conhecimento embasados.

Não são raros os sites (e perfis em redes sociais) que compartilham informações e dicas variadas como sendo verdades absolutas sem fontes e fundamento, o quando isso é feito relacionado ao tema saúde, o prejuízo que tal ação pode provocar é imensurável. E esses foi um dos motivos que ela criou o Equilibrando Diabetes, tentar reduzir o dano provocado por tanta informações equivocadas.


[Noelly Dantas] O contato que eu tinha com a diabetes era bem pouco, apesar de trabalhar em hospital o contato que eu tinha era em 99% dos casos com diabéticos do tipo 2, e era breve, só no período de internação.

Fonte: https://www.instagram.com/p/BKTLtI9gsyi/

Nada muito focado e nem a longo prazo. Não tenho familiares próximos com diabetes e o contato que tive na época da faculdade também foi pouco. Só as aulas básicas sobre diabetes que todo curso da área da saúde tem. E que não são suficientes para formarem profissionais da saúde capacitados para tratar a doença. Quando comecei a focar nos estudos e me especializar em diabetes, vi que a maioria dos profissionais da saúde não sabe o que é de fato a doença (e eu estava inclusa nessa maioria). A maioria não sabe explicar que existem diversos tipos de diabetes e diversos tipos de tratamentos. O que me deixa muito triste, por que essa falta de informação acaba gerando MUITOS mitos e dificultando ainda mais a adesão ao tratamento.

Hoje eu sou outra Noelly, quando falo que descobri um mundo novo, não é exagero. Passei a enxergar a vida de outra forma, minhas prioridades mudaram, me encontrei profissionalmente e quando eu tento me imaginar daqui a 10 anos, a visão é TOTALMENTE diferente da visão que eu tinha a um ano atrás

Eu considero uma mudança bem positiva, convivo bem com a diabetes e quem me conhece sabe que é verdade. Nunca deixei de fazer nada por conta da doença, só adéquo as obrigações com a “Bete”, aos meus planos.

A single golf clap? Or a long standing ovation?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.