Desvendando as inovações tecnológicas disruptivas e o futuro das organizações
Por Rodrigo Bernardes,

As inovações tecnológicas disruptivas introduzem novos conceitos e benefícios ao mercado. Estas novidades tecnológicas batem de frente com os produtos e serviços já existentes. O problema é que as empresas ainda não se preparam e a grande maioria ainda esta míope diante dessas transformações.
Poucos se prepararam para enfrentar a revolução tecnológica e trabalham engessados em modelos mentais ultrapassados e atuam em organizações com processos convenientes e confortáveis, e custam a perceber mudanças. A questão é que diferente de uma simples evolução ou transformação de uma tecnologia, estamos andando a passos largos e muito rápidos, como nunca se viu antes. As tecnologias podem em pouco tempo, substituir produtos, serviços e uma empresa inteira como se fosse uma avalanche!

A tecnologia é capaz hoje de redefinir todo um ecossistema, destruindo práticas consagradas e valores definidos. As mudanças ainda não são identificas e tão pouco aceitas, principalmente por empresas tradicionais. Quando todos esperavam que as grandes organizações aproveitariam esse momento, surgem as “startups”, que talvez, sejam as únicas capazes de interpretar e capitanear as mudanças nesse momento, já definindo talvez, o novo modelo das organizações no século 21.

Resolvi buscar alguns conceitos sobre inovação disruptiva e encontrei os estudos do Professor Clayton Christesen de Harvard, que destaco os principais pontos abaixo:
1- Para entender esse conceito, primeiramente representamos no gráfico abaixo o mercado, que traz a linha de performance do produto e sua evolução no tempo. Em seguida, apresenta-se as linhas que representam os clientes mais e menos exigentes, seguida por uma terceira linha que representa o esforço de melhoria da organização para se manter na liderança, denominadas aqui como “inovações sustentadoras”.

Seguindo a definição, a pressão competitiva obriga a organização a inserir inovações a uma taxa superior a que os clientes conseguem absorver, o que culmina no fenômeno do “overshooting”.

2 — Em uma situação de “overshooting” o esforço e investimento necessário para inserir uma inovação não são proporcionalmente percebidos e não se revertem em “propensão a pagar” pelo cliente. Desta forma, empresas lideres do mercado se veem presas nessa trajetória, investindo cada vez mais em inovações que não são acompanhadas de percepção de valor.
Para exemplificar esse conceito, basta analisar o quanto os recursos de um software como o “excel” é utilizado em sua totalidade e quanto você estaria disposto a pagar a mais por uma versão que trouxesse mais funcionalidades.
Nesse contexto, abre-se espaço para a inserção de uma inovação de outra natureza, que pode ser um produto, serviço ou modelo de negócio, direcionado para a camada inferior do mercado, que não consumia o produto anteriormente, conforme representado no gráfico abaixo.

Exemplos de inovações disruptivas:

3 — Estas inovações normalmente trazem propostas de produtos de uma qualidade “teoricamente” inferior ao produto original, porém trazem uma contrapartida de custos que permite que os consumidores passem a consumir estes produtos.
O que ocorre com as grandes empresas é que a maioria delas negligencia essas inovações que estão longe da necessidade dos “grandes clientes”, que geram maior lucro, tratando esses fatos muitas vezes como simples tendencias ou até mesmo ameaça.

4 — Outro fato importante é que as inovações disruptivas normalmente são baseadas e tecnologias emergentes ou modelos de negócio diferenciados e para se manter vivos no mercado, também percorrem uma trajetória de melhoria, que a medida que são incrementadas, passam a atingir os clientes das empresas lideres do mercado, porém com a vantagem de custo muito superior. Somente neste momento a ameaça é percebida pelas grandes empresas, porém tarde demais para uma reação.
Neste momento pode-se constatar que a disrupção esta concluída e as posições de liderança no mercado se alteram.
Com o avanço da tecnologia e a mudança brusca dos novos modelos de negócio e consumo, as organizações devem criar uma estratégia que reinvente o mercado, oferecendo produtos e serviços que a concorrência não possui, mas que sejam de fato diferentes e que atendam as necessidades do mercado, que muitas vezes podem ser criados baseado numa observação para atender de forma mais rápida e prática os consumidores, que as vezes querem apenas o “básico”, a exemplo do modelo de negócio implementado pela companhia Gol. A melhor definição para essa questão é a do consultor Clemente Nobrega que enfatiza:
Inovar é fazer “melhor” ou “aprimorar” é errado. Em muitas circunstâncias, inovar é fazer “pior” do que o padrão estabelecido. É, na verdade, criar outro padrão de qualidade.
Neste cenário, não basta somente monitorar as ações dos concorrentes. Estar atualizado com as tendências e criar condições na organização para que a criatividade e a inovação circulem de forma natural são fundamentais. Somente com a agilidade e a capacidade de inovar típicas dos pequenos empreendedores é que será possível sobreviver a essa nova ordem do mercado. O cenário é desafiador e deve mexer com todas as instâncias do mundo corporativo. Adaptar-se exige profundas transformações estruturais e na cultura da organização. Hierarquias estão sendo quebradas, processos revistos, burocracias eliminadas e, o mais importante, toda a estratégia da companhia está sendo repensada de modo a abraçar as novas tecnologias, o compartilhamento de informações e o trabalho em grupo.
Referências: Livro Disrupting Class: How Disruptive Innovation Will Change the Way the World Learns, Portal Verios e Blog Labinove.