Para ler no pior momento de sua vida.

Você tem que saber de duas coisas:

Gabrielle Muniz
Jul 22, 2017 · 4 min read

1 - Você não está sozinho.

2 - Vai ficar tudo bem.

Você também se sente como peças de um quebra cabeça embaralhadas ao lado de sua imagem-conceito? Eu me sinto assim. As minhas peças não são originais; entreguei algumas voluntariamente e me trouxeram outras. De noite, ou no parque admirando a copa das árvores, observo meu estoque de peças. Você também faz isso?

Não se pergunta o que diabos aconteceu? Como aquela criança curiosa se tornou uma pessoa inibida e cansada? Você começa a pensar sobre si, seus erros e inúmeras culpas. Sobre a vez que foi insultado na escola e segurou o choro até chegar em casa. Será que foi algo que você disse? Mal-interpretado, isso acontece muito. Você começa a pensar em ser mais cordial com aqueles que o desdenham — os escritores vivem dizendo que vilões precisam de calor humano; menção honrosa aos vilões da Disney.

Por falar em ser humano, você acaba se cansando de perdê-los. Em algum momento você presenciou a morte de um amigo ou familiar, chorou e assoou o nariz na blusa e acordou com dor de cabeça no dia seguinte. Eu já e, como você, queria não ter passado por isso. Você chorou no chuveiro, talvez tenha percebido tarde demais que não tirou a roupa íntima, sentiu calor e frio, e não se mexeu por minutos.

Nesses momentos: você já não sentiu vontade de gritar ao se olhar no espelho? O termo Disfórico significa que não me sinto bem na minha própria pele. Por muitos anos essa palavra me identificava. Até o instante que percebi que me odiar era injusto.

Estou comigo até eu morrer. Preciso me cuidar e suportar enquanto a água ferve e mata os germes no meu cérebro.

Eu me acostumei a me abraçar até sentir que são meus os braços nas costelas. Você também?

  • Vá até o banheiro. No espelho.
  • Você está refletido, se olhe.
  • Comece aceitando o que vê em você. Tente se amar. Suas curvas, nos cabelos e no seu corpo, seus olhos pequenos, seus olhos grandes, suas ruguinhas, os dentes separados, seu gosto por Zeca Pagodinho e filmes franceses, suas orelhas de abano, sua dieta regulada pelo nutricionista. Percebe a quantidade de características só suas que ninguém mais tem?

Sua aparência é o que os outros vêem, mas debaixo desse casco há um oceano de detalhes. Olhe nesses olhos. O que você vê? Eu vejo o quão valente você tem sido. Acordou e arriscou uma olhada para o céu, até mesmo bebeu um pouco de água e uma grande alegria foi você ter almoçado… eu sei, é difícil me acostumar com mudanças também. A zona de conforto é muita boa quando se trata de amputar nossa motivação. Eu sei que soa intolerável lutar por um espaço no mundo quando você só quer cair em um canto.

  • Mas, preste atenção:

Você não está sozinho.

Eu também tenho a sensação de que não vai dar mais. De que adianta meu esforço em abrir os olhos? O mundo não presta atenção.

E é verdade. É VERDADE. Eles têm muita informação com que se preocupar enquanto eu sou apenas um pontinho no espaço.

Mas existe sempre alguém que se importa genuinamente. Basta você comunicar sua vontade e ela virá te escutar. Sim, ela vai. No começo é desconfortável assumir tantas inseguranças e desejos pela primeira vez. Mas tudo parece impossível de lidar até que a gente tenta, não é?

Acho que só com o tempo nós aprendemos a administrar a euforia, o terror que é estar vivo. Mas tudo que você deve fazer agora é chamar.

Eu não estou bem.

Essa pessoa vai te sugerir coisas. Você pode não gostar, já digo. Uma delas, a primeira, e que pode causar um estranhamento é ir ao psicólogo. O pé fica atrás, a pulga atrás da orelha mas você dá uma chance ao profissional da Psicologia.

Deve acostumar com ele ou ela por algumas semanas (preciso que você mostre todo seu potencial de paciência aqui). Mas uma coisa não vai demorar: o alívio desafogador no peito e na testa virá.

Sobre a outra coisa que a pessoa vai te sugerir tem a ver com O Que Você Está Fazendo Com A Sua Vida.

Você tem hobbies? Soa extremamente cosmopolita, mas hobbies são apenas um termo fino para os velhos prazeres pessoais. Ler um livro (escrever um livro), andar de bicicleta (ensinar alguém), aprender violão (tocar no bar de graça), fazer bolos para vender (e comer), etc.

Se você tinha interesses que o mantinham entusiasmado mas foi ficando angustiado com o passar do tempo devido à uma gama de peculiaridades da vida, então peço que se esforce. Aos poucos, tente se reintegrar. Por que você gostava de cantar? Encontre novos motivos.

Mas talvez, como eu, você tenha sido tão afetado que nem mesmo devagarinho se reconciliou com alguns hobbies. Isso não é um problema para o Vasto Mundo! Se conheça melhor; mantenha um diário. Mude suas rotas, adote um animal. Há felicidades por aí e você precisa delas.

Não há apenas um caminho.

E vejo o que estou passando e meu coração se fortalece. Eu confirmo:

Vai ficar tudo bem.

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