Onisciente

E então, assim do nada, ele acordou certo dia com o poder da onisciência. Pensava em uma pergunta e sabia a resposta. Os números da próxima Mega Sena da Virada, os campeões brasileiros nos próximos dez anos e até se este processo de impeachment iria dar em alguma coisa. Sabia tudo, do final do BBB ao ao vencedor de Capitão América x Homem de Ferro.

Entrou em êxtase, queria botar a boca no mundo, resolver os problemas do País, da humanidade. Estava preparado para ligar às tevês, chamar os jornais. “Parem as máquinas!”, disse, mentalmente.

Mas aí, respirou um pouco e pensou nos resultados de suas ações. Sua onisciência permitia isso: saber as consequências dos atos antes de realizá-los. Coçou o queixo e pensou, meditou uma hora calculando as várias possibilidades.

Concluiu que o melhor a fazer era nada fazer. Embora soubesse de tudo, não tinha sabedoria para usar o conhecimento. Virou de lado e olhou o relógio. Era sábado, nove da manhã, tinha tempo para mais um cochilo. Quem sabe, quando acordasse, ganharia também o dom da sabedoria.

Dormiu. Irônico, mas ele ainda não sabia: já era um sábio.