singular/plural

Foi como se eu vivenciasse tudo de novo. As músicas, a janela do ônibus, a conversa com meu pai, onde nos encontramos. Tudo volta à memória. Fui pego de surpresa com você aqui, sua aparição, quase que do nada, me fez lembrar do que era olhar para você. Uma beleza poética. O jeito que você olhava para a câmera na hora da foto e os seus cabelos voando com o vento formavam uma dança bonita, quase como os vestidos de uma dançarina de flamenco.
Parei tudo o que estava fazendo, subi para o terraço e apenas olhava para frente. Minha atenção toda, de repente, voltava pra você. Resolvi te procurar mas não te encontrava por perto. Estranho isso depois de tanto tempo, não? O nosso livro está na estante e escuto uma música que, por mais que não tenha qualquer referencia a nós dois, me faz imaginar momentos juntos. Uma rotina nos bares, uma caminhada no quarteirão paulista ou só uma troca carinhosa de sorriso em silêncio durante a noite. Imagino como pode ser quanto te encontrar.
Imagino se a gente saísse num domingo qualquer, sentássemos numa praça qualquer, e então em um minuto qualquer o tempo se tornaria singular. Mas “eu, tão singular, me fiz plural.”
