Pão nosso

Um cearense entrou na padaria e pediu um minas quente e um carioca.
- Fala, baiano! ― disse o chapeiro catarina.
- E aí, gaúcho? ― respondeu o cliente.
- Viu esse golaço no pernambucano?
- Ô! Eu falo que esse Paraíba ainda joga bola.
- É, só tá mais velho que o açaí Amazon-coiso que o patrão deixa girando aí.
- Falando nesse capixaba safado, por onde anda?
- Férias no Maranhão.
- Tá louco. Teu chefe trabalha menos que Brasília. Dá outra vez foi Mato Grosso.
- Do Sul.
- Dá na mesma. Tudo Rondônia. Esse bolo aqui é do quê?
- Bolo não. Cuca de castanha-do-Pará.
- Maldita gourmetização. Será que já chegou no Acre?
- Capaz, mas o gosto é bom. No Paraná comem até com salame.
- Sei. Precisam de um mês em Goiânia pra aprenderem a ser macho.
- Ketchup?
- Não, brigado. E o Natal?
- Fui para Aracaju com as crianças.
- Ó que chique. Depois fala do patrão.
- A patroa tem família por lá.
- Justo. Sabe de uma farmácia por aqui?
- Tem uma na Maceió com a Macapá. Mas é o olho da cara.
- Em frente ao edifício Boa Vista, né?
- Essa. E o lanche?
- Maravilha. Merece um Tocantins inteiro.
- Bondade sua. Tem comanda?
- Não.
- Só ir direto no caixa então.
(…)
- Oi. Foi um queijo branco e um pingado.
- Mais alguma coisa?
- Uma Piauí.
- Nota paulista?
- Pode ser.

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