Palavras por minuto

A quantidade de informação que recebemos atualmente influenciou nosso modo de reagir a elas ou estamos apenas fazendo o que sempre fizemos em maior escala devido a maior quantidade de informações que processamos hoje em dia?

Olhamos uma notícia, vemos uma foto ou lemos um texto e já temos uma opinião formada. Não processamos, não digerimos e não paramos para nos perguntar por que estamos reagindo assim.

Pode fazer o teste. Abra um portal de notícias, leia as manchetes e perceba como sua opinião estará formada antes mesmo de terminar o texto que se propôs ler. Inconscientemente, fazemos isso em todos os aspectos da vida.

Gosto. Não gosto. Quero. Não quero. Concordo. Discordo.

Você faz isso, eu faço isso, todos nós fazemos. É muito mais cômodo ter respostas automáticas sobre tudo que nos cerca do que nos ver obrigados a pensar toda vez que algo aparece na nossa frente. Pode parecer absurdo admitir, até vergonhoso talvez, mas nós não pensamos.

É muito fácil não pensar.

Temos as respostas para tudo nos outros. Adotamos posicionamentos pré-definidos que nos parecem mais amigáveis e os aceitamos como verdades absolutas, defendendo-os até o fim.

O problema é que de vez em quando, ao emitir nossa resposta automática, somos questionados: Por quê? E é somente nesse momento que percebemos não fazer ideia da real motivação das nossas opiniões.

Ter nosso posicionamento automático confrontado se tornou uma experiência onde, além de explicar ao outro o motivo de nossa opinião, acabamos tendo de responder para nós mesmos o motivo de pensarmos daquela maneira sem o tempo que teríamos caso nos propuséssemos a pensar por nós mesmos anteriormente.

Ter nossa opinião questionada nos leva repensar nossas posições, afinal, eu penso dessa maneira pois refleti sobre o assunto, por que a ideologia que me identifico segue esse entendimento majoritário ou por essa linha de raciocínio ser frequente no meu círculo social? São questões difíceis e as respostas para questões difíceis podem ser, muitas vezes, desagradáveis.

Então, em vez disso, em vez de se torturar com pensamentos sobre os motivos de pensar, faça um jogo. Cada vez que formar uma opinião, cada vez que uma conclusão instantânea surgir na sua mente, pare e se pergunte: Por que eu penso dessa maneira?