Uma novela espaço-temporal (Dia 1)

Após acordar do que parecia ser uma noite de bebedeira, porém sem se lembrar de ter bebido e sem cheiro ou gosto de álcool em sua boca, sua visão estava turva, focando aos poucos, a luz dificultava o foco, falhando na tentativa de se localizar. Sua audição ia perdendo o zumbido causado pelo que parecia ser algum tipo de explosão, mesmo não sentindo nenhuma dor, apenas um mal estar generalizado. Ele via uma luz vindo de seu braço, foi verificar o que era, um relógio, focou no visor para ver as horas:

09:20, 07 de Setembro de 1997.

Tentou buscar nas suas memorias o quanto tinha dormido, mas não lembrava quando tinha ido para a cama, enquanto voltava a si, percebeu que estava em um apartamento que não tinha visto antes, nem ao menos estava na cama, estava jogado em uma poltrona de aparência barata. Tateou sua calça procurando sua carteira, achando que havia sido roubado, porém sentiu seu volume no bolso, aliviado ele levanta cambaleante, foi em direção uma porta semi aberta em que ele podia ver uma pia. Lavou o rosto, estava muito confuso, não se lembrava de nada da ultima noite, não lembrava onde estava, como chegou ali, e se deu conta de que nem ao menos do seu nome lembrava.

— Nunca mais vou beber tanto assim, brincou.

Pegou sua carteira no bolso de trás, abriu, viu que ainda havia dinheiro nela, deu um sorriso rapidamente. Pegou sua carteira de motorista e viu seu nome, seu rosto familiar o deixou mais confortável com a situação.

— Ryan. leu em voz alta.

— Ryan. Repetiu em voz alta, soava muito familiar — como poderia ter esquecido?.

Só precisava saber onde estava. Dirigiu-se para uma porta que dava para um corredor, o numero 69 estava preso na porta, quarto 69. Desceu 6 lances de escadas e chegou ao saguão, dirigiu-se para a rua e leu o letreiro, era um prédio muito velho. Vesúvio era o nome. Nome bonito para um lugar deplorável. Apenas quando chegou na esquina ele se deu conta de que não sabia para onde ir. Onde morava mesmo? suas memorias continuavam turvas. Atravessou a rua e entrou em uma cafeteria logo em frente ao Hotel. Sentou em um banco, logo um homem veio atende-lo, tirou seu pedido e entrou na cozinha.

Enquanto tentava resgatar suas memorias ele pegou sua carteira novamente, procurando algo que fosse familiar, uma pista de onde morava, qualquer coisa que lhe ajudasse. Procurou nos outros bolsos da calça, havia apenas mais um molho de chaves sem identificação e a chave do apartamento que estava. Espalhou tudo na mesa que estava sentado, havia algumas fotos instantâneas, uns recibos, seus documentos e muito dinheiro. — Não sabia que era rico, mas isso explicava a boa aparência do terno que estava vestido. Seu café chegou, o primeiro gole, sempre revigorante, fez sentir-se melhor.

Ignore o valor em Reais e a data não estar invertida :p

Diante dos seus objetos na mesa, vasculhou os recibos procurando algo que indicasse onde estava na noite anterior. Porém algo o deixou perturbado, a data dos recibos não batiam, não havia nenhum recibo da noite anterior, apenas alguns com datas que ainda estavam por vir, pensou que poderia ter sido problemas com a maquina, mas em TODOS os estabelecimentos? Tentou procurar o mais recente, que marcava que havia comprado algumas roupas em uma loja, mas a daqui 4hrs. Assustado, recolheu todos os objetos da mesa e voltou para o apartamento.

Chegando no quarto 69 novamente, voltou a espalhar as fotos e recibos na cama, procurando algum sentido em tudo o que estava acontecendo. Porque não se lembra de nada? porque sentia tanto mal estar? onde estava? o que significava todos aqueles papeis com datas a vir?

Olhando atentamente as fotos, procurando reconhecer algum lugar, mas nada vinha a mente, quem eram aquelas pessoas?

Quando se deu conta, percebeu que estava adormecendo de exaustão, como se fosse uma anestesia, sentia que iria apagar rapidamente, não conseguia mais manter os olhos abertos, até que adormeceu sobre a bagunça que deixou na cama.