Em busca do meu Sagrado Feminino

Como toda mulher alternativa, já tinha muitas vezes ouvido falar do Sagrado Feminino. Mas em nenhum momento, eu realmente senti o chamado para ir atrás do seu verdadeiro significado e entender o que esse termo queria dizer, até eu sentir dentro de mim a vida se criando.

Sim, foi na gravidez que senti pela primeira vez a força do Sagrado Feminino. Eu não usava essa nomenclatura, mas senti na pele o que era estar conectada com meu corpo, minha essência, minha alma e o pequeno ser vivo que estava gerando com perfeição.
Durante esse meses, me senti no auge da minha energia feminina, empoderada, feliz, saudável, cheia de auto estima, brilhante! Daquelas grávidas que a gente vê na rua e abre um sorriso ao observar essa emanação de energia do bem.

Quando minha filha nasceu, e durante longos meses seguintes, eu passei por um processo muitos distinto da gravidez, foi a vez da dissolução do meu self, do meu eu que sempre tinha sido a prioridade, do meu ego que era carente de atenção. Me despi de todas as máscaras e da minha própria personalidade para poder me conectar com meu bebê, aquele ser puro e ainda sem referências próprias, que precisava da sua mãe dedicada e absolutamente entregue para dar aquilo que todo bebê quando vem ao mundo precisa: amor, carinho, cuidados, gentileza e um caminho para ir se moldando, criando sua pequena identidade.

Após esse primeiro momento, feito de dias longos e duros, sem banho e sem amor próprio, sem auto estima e sem conexão com o mundo externo, eu fui me reencontrando como um ser latente, pulsando por uma chance de voltar a superfície. Mas quem era esse novo eu? As indagações eram infinitas, me sentia perdida mas determinada a me redescobrir e emergir da minha própria sombra.

Em meio a tantas mudanças e reflexões diárias, senti o chamado para me recolher para dentro e realinhar com a minha própria força, com aquele novo self que está sendo renovado e que pedia por uma conexão com algo maior, algo que eu descobri ser o Sagrado Feminino: o nosso eu selvagem, instintivo, intuitivo, a loba adormecida…

Esse caminho, tão impactante, me faz sentir que nunca soube realmente o que é ser mulher. Sempre me moldei muito na energia masculina: independente, realizadora, fria, distante, achando que esse era o caminho para que me sentisse segura e que me levassem a sério. A sociedade atual vibra essa energia masculina e nos faz sentir que esse é o melhor modelo a ser seguido, ao contrário da "fragilidade e sensibilidade feminina".

Hoje, pela primeira vez, eu consigo observar tudo isso com novos olhos, joguei minha venda aos ventos e estou trilhando esse novo caminho, buscando novas aliadas mulheres que estejam nessa mesma busca, a busca de um novo eu, uma nova definição de feminino que remete à tempos muito antigos e que se perdeu, propositalmente, para que nós não nos fortalecêssemos e nos uníssemos em prol da nossa força de mulheres.

Mulheres, mães, lobas, vamos juntas buscar a ressignificação do conceito de irmandade, de clã, de rede de apoio, para que possamos todas prosperar lado à lado, emanando essa energia feminina que o mundo tanto precisa para encontrar o seu equilíbrio, vamos encontrar a nossa voz em uníssono, para que todas possamos viver verdadeiramente em paz e liberdade!