“Resenhas” rápidas: Um Brasileiro Chamado Zé Carioca; O Inescrito: Apocalipse vol. 2: A Jornada; Como eu realmente… #2

Um Brasileiro Chamado Zé Carioca (de Ivan Saindenberg e Renato Canini): mais um dos encadernados abrilianos com histórias clássicas da Disney, mas esse tem sabor especial, com roteiros de Ivan Saindenberg (1940–2009) e arte de Renato Canini (1936–2013), que redefiniram e expandiram o personagem “brasileiro” da franquia: ele ficou mais malandro, mais folgado, além de ganhar primos de vários estados XD (Zé Paulista, Zé Jandaia, Zé Pampeiro, Zé Queijinho…).
 As primeiras histórias do encadernado são meio desengonçadas, como são todos os primeiros trabalhos do universo, mas assim que autores, personagens e leitor entendem as regras do jogo, você tem o melhor das HQs descompromissadas dos anos 70 :) — Sim, descompromissadas, a Ditadura estava no ar*, a censura estava animadíssima e estamos falando de um personagem vindo de uma empresa conservadora licenciado para uma editora conservadora x)

Veredicto: Recomendo pelo valor histórico, para aprender a pular etapas no roteiro sem medo (volta e meia a dupla faz umas transições meio abruptas, mas funciona!) e por que é divertido. O volume tem 44 das 93 histórias da dupla, espero que lancem o resto ^^
 Bom: Além do material compilado, o tratamento de luxo dado.
 Mau: Não curti o traço do Canini, e era ainda pior nas primeiras histórias. Mas melhorou, ou me acostumei com o tempo. Saindenberg também pode decepcionar quem espera um Carl Barks nacional :P
 • 356 páginas • R$49,90

* roubei o termo do Raphael Fernandes, de uma história que nem li ainda :P

O Inescrito: Apocalipse vol. 2: A Jornada (de Mike Carey, Peter Gross e Chris Chuckry): Estou citando apenas o título desse último volume nessa “resenha”, mas esse texto a partir é sobre série inteira, não apenas esse volume final**, ok?
 Tom Taylor é filho do desaparecido escrito Wilson Taylor, escritor da famosa série Tommy Taylor, um genérico de Harry Potter. Todos acreditam que Tom (o filho) foi a inspiração de Tommy (o personagem), até o próprio acredita nisso, até que em uma entrevista coletiva uma das repórteres dão a entender que talvez ele SEJA o personagem. Talvez a ficção seja mais que ficção. E por aí vai.
 A partir disso, O Inescrito foi uma título que brincou muito com metalinguagem, com o poder das histórias interferirem no mundo real. Afinal, nós não somos histórias, nossos valores não são fundamentados em contos, parábolas e fábulas? Só que — ao menos pra mim — a história dá aquém do que promete, a trama se perde a ponto de você não se importar mais com os personagens, é mais uma daquelas séries que você segue comprando pra terminar. Mas não pretendo me desfazer e vender minha coleção, pretendo Um Dia dar uma revisada nas idéias da série (e me iludo, pq não vou ter tempo disso em vida, é tanta coisa pra ler….)

Veredicto: Leia emprestado, não espere muito e me conte o que você achou.
 Bom: O melhor fanfic de Fábulas está dentro dessa série, melhor até do que a série regular de Fábulas :PP E gosto muito das capas Yuko Shimizu. E claro, tem porções de idéias que já disse que quero rever, hmpf.
 Mau: A trama se perde, o vilão, os vilões não tem carisma. Talvez se eu relesse tudo de uma vez a coisa melhore….
 • 178 páginas • R$22,90

** Na verdade não é o volume final, tem mais uma graphic novel lá fora, contando sobre o passado de Tommy. Portanto, tecnicamente, a trama já acabou :P

P.S.: o começo da série tem uma resenha do Bruno Schlatter em seu blog Rodapé do Horizonte. Além de ser bem melhor escrita do que a minha (a ponto de me convencer a experimentar a série), todo o blog fala de HQs, Literatura, RPG com competência infinitamente superior a esse n00b aqui.

Como eu realmente… #2 (de Fernanda Nia): No episódio de hoje, aprendemos em O Despertar da Força que repetir uma fórmula consagrada pode ser a mais certeira das escolhas. Como é uma compilação de tiras online e não uma revolução quadrinística, é esse o caso ;) Então, pra poupar digitação, releia a resenha do primeiro volume, minhas opiniões não mudaram muito =p
 Ah, além do material do site, o livro tem tiras inéditas e até uma HQ completa :)

Veredicto: Visite o site, compre o livro, dá até pra emprestar pras pessoas normais :P 
 Bom: O humor leve da Fernanda Nia, além da arte estilizada e bonita, exata pro que ela quer expressar :)
 Mau: Talvez algumas das referências mais próximas da cultura da autora e dos frequentadores do site podem soar estranhas pras supracitadas “pessoas normais”. Tive sorte de minha mãe ainda não ter me perguntado o que é uma fangirl x)
 Site oficial: http://www.comoeurealmente.com/ • 80 páginas • R$29,90

P.S.: assim como a anterior, minha edição é autografada pela autora e a de vocês, não :P

— — — — — — -

texto originalmente publicado em http://www.mushi-san.com/geladeira/2016/01/resenhas-rapida-6.php

Show your support

Clapping shows how much you appreciated mushisan’s story.