Liberalismo, a doença infantil da esquerda.

Não é novidade pra ninguém que nós da esquerda defendemos a legalização das drogas, a descriminalização do aborto e uma série de temas ditos ~polêmicos~, mas há um grande problema com isso, que são os motivos que encontramos pra defendê-los.

Na geração de textão de facebook, de memes de twitter e problematizações pra todo canto, muitos militantes esquerdistas começaram a defender pautas extremamente importantes de um jeito ultra liberal.

Quantas vezes já não ouvimos que “o indivíduo tem que ter o direito de fumar maconha porque é problema dele”, ou que “a mulher tem que ter o direito de abortar porque o corpo é dela” ?

Esses argumentos além de serem frágeis, são individualistas, egoístas e liberais.

Ora, é inegável que as drogas não são problema exclusivamente de uma pessoa, é inegável que o aborto não é problema somente de uma mulher. Esses e muitos outros, são acima de tudo, problemas coletivos, sociais, que cabem à sociedade como um todo.

Devemos sim defender essas pautas, mas hemos de fazê-lo de maneira coerente, fugindo das falácias liberais.

  1. Devemos defender a legalização e a regulamentação das drogas porque a proibição é o que financia o tráfico. A proibição serve de pretexto pro Estado aumentar o aparelho repressivo, serve pra dar respaldo pros genocídios cometidos nas periferias do país. A proibição serve pra marginalizar uma classe que necessita de cuidados médicos, não de guerra. A proibição serve pra manter de pé os maiores narcotraficantes do mundo. A proibição põe em risco o bem estar social. Por isso somos a favor da legalização e da regulamentação, não pelos direitos individuais.
  2. Devemos defender a descriminalização do aborto porque morrem três mulheres por dia por causa de abortos ilegais. É simplesmente uma questão de saúde pública pra evitar o extermínio das mulheres pobres. O aborto já é legalizado pra classe alta que paga uma clínica segura e realiza o procedimento tranquilamente enquanto as mulheres mais pobres fazem o processo em açougues, com agulhas de tricô, chás que muitas vezes são tóxicos e coisas desse tipo. Devemos defender a descriminalização do aborto porque é uma questão de classe, não de indivíduo.
  3. Muitos militantes defendem a legalização da prostituição como trabalho formal. Devemos ser contra essa medida. A prostituição é mais uma forma de exploração. A prostituição faz do corpo da mulher uma mercadoria e enraíza ainda mais o machismo na sociedade com a ideia de as mulheres são apenas objetos. Não é porque um indivíduo deve ter ter o direito de “contratar” uma prostituta que devemos aceitar legalização. Devemos lutar pra que esse tipo de trabalho não seja necessário.

Pense, geração facebook, mas pense fora da caixa, fora da ótica do pinkwashing e afins. Pense na sociedade como um coletivo, não como indivíduos.