CLUBE DAS COINCIDÊNCIAS.

Nunca mudei de casa. O mais perto que já cheguei da experiência foi me hospedando com parentes ou em hotéis durante viagens. Imagino que a sensação seja estranha. Adaptar-se a um lugar novo, encontrar o seu espaço, deixar tudo com a sua cara. Dá até um pouco de medo só de pensar. E preguiça também.

De certo modo estou passando por isso agora. O hábito de escrever por lazer me é novo, já que minha profissão exige que eu faça isso para os outros. Aliás, esse foi exatamente o catalizador desse experimento, que irei chamar assim enquanto não pensar em um nome interessante. Não tenho maiores pretensões, já que não tenho leitores. O lado bom é que não tenho prazos e não preciso de aprovação. Sou meu próprio cliente e confesso que tenho gostado.

Estou tentando me adaptar ao novo lar. Ainda procuro o ritmo certo, a voz adequada, o estilo apropriado. Como disse antes: dá preguiça. Mas sinto que estou no caminho certo.

Anteriormente esse texto tinha outro tema. Já sabia como começar e tinha o desfecho mais ou menos pronto. Tinha, até o momento em que, passando pela biblioteca do meu pai, decidi escolher o livro da semana. Sim, tenho a meta ousada de ler um livro a cada sete dias. Tudo ia bem até o momento em que perdi a paciência. Muitas opções, muita bagunça, muito calor. Dane-se, essa vai pra conta do acaso. Assim, sem olhar, peguei um livro qualquer de uma pilha e voltei para o quarto. Foi quando li o título:

O clube do filme – David Gilmour.

Uma escolha banal entre centenas de opções, infinitas possibilidades e inúmeras variáveis. Confesso que cogitei devolvê-lo ao seu lugar, mas não consegui. Acho que não foi mera coincidência, ou pelo menos tento me convencer disso. Talvez seja apenas o universo me dizendo que, mesmo nova, uma casa ainda precisa de móveis antigos para se tornar um lar. Enquanto isso eu deixo suas portas abertas.

Pode entrar se quiser.

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