MEU PÉ DIREITO.

Há exatamente um ano eu (literalmente) dei um passo que mudou minha vida drasticamente. Afirmo isso sem o menor eufemismo. Em um instante (olha ele de novo) fez-se da diversão a dor e ainda hoje me pego pensando se realmente passou. Quando aquele ligamento se rompeu algo mais profundo também se perdeu em mim. Confesso que não atravessava a minha melhor fase espiritual. Raiva, medo, dúvidas, frustrações. Tudo isso me afetava e, consequentemente, pessoas que estavam próximas sofriam sem saber por que.

Assim, perdido, afastei tudo que era importante na minha vida. E o principal: me afastei de mim mesmo. Se é que isso é possível, gramática e cientificamente falando. E quando essa distância concretiza-se, o resultado geralmente é desastroso. E foi.

Por isso eu acredito, ou pelo menos tento, que, mais do que um acidente, aquele passo errado foi o meu corpo, foi o universo, foi alguém dizendo: Marcus, chega. Naquele momento todas as dores e angústias se manifestaram na sua forma máxima, exatamente no meu pé direito. O simbolismo do fato e fortíssimo. Foi a vida me mandando parar. E de certa maneira eu parei.

Mas na época eu não tinha condições de ler esse roteiro de forma tão poética. Não me conformava com a minha falta de sorte e no ponto máximo da dor, em todos os sentidos, eu abri mão de grandes paixões que tinham me acompanhado até aquele ponto.

Algum leitor mais próximo talvez entenda do que estou falando.

Fato é que toda essa experiência ilustra muito bem um momento de vida muito singular nos meus quase trinta anos de existência. Você pode até pensar que sou exagerado e talvez eu seja. Mas como dizia um grande amigo do meu pai: cada um tem sua história. Acho essa frase genial, porque é a mais pura verdade. Ninguém mais, além de nós protagonistas, pode determinar a importância de determinado capítulo nesse livro chamado vida. E o capítulo “Meu pé direito” é um dos destaques do meu best seller até aqui.

Hoje eu já posso andar, embora com medo. Mas como disse lá no início, não tenho certeza se a dor me abandonou totalmente. O que me resta é seguir em frente, torcendo para que o meu pé não me deixe mão.

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