Pornografia: um prazer tóxico
nós homens, sempre que estamos entretidos nas nossas intimidades deixamos passar despercebido o condicionamento torpe no qual estamos inseridos.
a pornografia, é algo muito presente nas nossas vidas. segundo uma pesquisa do G1, feita em 2017, cerca de 22 milhões de brasileiros assumem consumir pornografia e desse número, 76% dos consumidores são homens (isso sem considerar os menores de idade). pensar nisso me levou a refletir sobre os efeitos do consumo desse conteúdo nas nossas concepções de sociedade e sexualidade, o pornô é visto como um estímulo, uma válvula de escape para fantasias, desejos e frustrações. sendo assim, os acessos seriam nítidos reflexos de quem nós somos intimamente.
se olharmos os as páginas iniciais ou trendings de sites como “xvideos” ou “pornhub” encontraremos muito conteúdo incestuoso, violência, humilhações, dominações abusivas e estupros. e isso é gravíssimo, uma sociedade que consome isso tão naturalmente carrega consigo esse mesmo ímpeto e não o executa por um temor ou por pura falta de oportunidade. outro ponto que podemos observar é o padrão estético que o pornô criou, mulheres com corpos irreais, sem pêlos, celulites, estrias ou pele escurecida que são coisas extremamente naturais e reagindo a estímulos exagerados, se sujeitando as mais variadas humilhações apelando para os receptores visuais e auditivos dos espectadores.
a consequência disso são homens com uma mentalidade deturpada, que veem mulheres como objetos submissos prontos a atender a todos os seus desejos de forma consentida ou não. precisamos enxergar a masturbação como algo dissociado da pornografia, não deve existir a necessidade de assistir um pornô pra gerar a excitação. ela pode vir de uma conversa com seu cônjuge, uma imagem ou vídeo que você recebe também da sua companheira ou de alguém que você está ficando e até mesmo tentar fazer isso sozinho, tentando se estimular lembrando de momentos ou criando seu próprio roteiro baseado no que mais te excita, é um exercício para gerar algo mais orgânico se distanciando da mecanicidade da indústria pornográfica. é um trabalho árduo e lento, precisamos de muito tempo para desconstruírmos essas ideias. depende de nós homens, nos conscientizarmos para que essa mudança se torne enfim algo real e acessível.
