Combatente Maria

Quando soube que minha mãe estava grávida uma vozinha dentro de mim torcia para que fosse menino. Pode parecer estranho, pois geralmente a gente espera um pouco para ter aquela ansiedade para saber o sexo do bebê.

Um dos principais motivos é que é muito mais fácil nascer homem, crescer homem, envelhecer homem, tornar-se homem. Do que nascer mulher, crescer mulher e o resto do processo você já conhece.

É muito mais “fácil” educar um homem para não ser machista do que educar uma mulher e ainda ter que “protegê-la” de todas as ameaças que o mundo trás.

Tomo como exemplo o meu caso, cresci filha única e sempre carreguei todas as responsabilidades que uma filha mulher possa ter. Na questão estética de não poder ser gorda, não ter estria e não ter marcas e cicatrizes que qualquer pessoa adquire ao longo da vida. Ser sempre educada, mesmo que a situação não convenha tal atitude, sempre sorrir e passar por cima de comentários que me constrangiam. Aprender a limpar casa desce cedo (coisa que acho certa), mas que tinha tendência à preparação para meu “futuro marido”.

Pois bem, depois de um tempo descobrimos que é menina, e todos os meus planos foram por água abaixo, me deu uma aflição enorme só de saber que ela possa passar por tudo o que nós mulheres passamos desde o começo da vida. Mas, acredito que ela esta vindo pra testar a minha capacidade de ajudar alguém à crescer forte e destemida.

Escrevi esse texto com o intuito de dizer o que irei fazer por ela, porém, infelizmente descobri que eu não sei exatamente o que fazer, só sei que farei.

ilustração de jéssica lisboa
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