Você não conhece as pessoas por acidente

Quando aquele sentimento que tinha esquecido que existia bate a porta é difícil de imaginar como a vida irá mudar.

De repente, voltam aqueles sintomas que antes indicavam uma crise de ansiedade chegando, mas que só dessa vez não trazem a sensação de que tudo irá desmoronar. Esses sintomas mostram que esperar uma resposta não é mais plausível, que já não há tempo pra demora, eu te quero agora, já não há mais o que esperar.

Quando se vê o rosto da pessoa e percebe que toda a beleza do mundo mora lá, que todas essas canções bobas foram feitas para ser a trilha sonora da sua vida mesmo que não queira. E espera mais de meses para vê-lo de novo e quando reencontra sente que ele sempre esteve presente mas que agora você pode tocá-lo.

Logo, como a vida fode com a gente, eu não sou a pessoa que tem a oportunidade de vê-lo acordar todas as manhãs e sentir-se a criatura mais sortuda do mundo, não sou a que esta presente quando ele esta surpreendentemente feliz e nem triste.

Por que entre milhares de pessoas que vivem na mesma cidade, eu tive que te encontrar? Por que logo você ficou na minha cabeça, martelando todos os dias a sua existência?

E daí eu encontro outras pessoas, outras bocas mas nenhuma delas ocupam o lugar que você criou em mim, nenhuma delas realmente tem a presença que só você consegue ter.

Quando eu te vi pela primeira vez, não era nada além do que um rosto, mas agora meses depois, você é o único rosto que eu consigo encontrar em um lugar lotado.

Talvez eu mereça outra pessoa, mas eu sempre quis você.

“It is once in a while that you see someone whose electricity and presence matches yours at that moment.” — Charles Bukowski
ilustração de alessandro gottardo