Náusea
Começar a escrever sempre foi algo doloroso para mim. Via pessoas se sentindo libertas por conseguir passar suas emoções, sentimentos, aflições pro papel. Comigo era o contrário. Escrever causava aflição. Sempre tive dificuldade em dar nomes aos meus sentimentos. E se existe aflição maior que essa eu desconheço. Talvez isso se dê por viver sempre com um turbilhão de emoções dentro de mim, se misturando e causando desordem. Como nomear um sentimento que não é um? Acho a linguagem muito limitada pra isso.
O que posso dizer é que sinto. Mas sentir sem externalizar dói. Então procurei na leitura o meu refúgio,que por muitas vezes foi. É libertador perceber que suas aflições não são únicas. Mais libertador ainda é perceber que existem pessoas com um dom capaz de descrever todos seus sentimentos (já que você sozinha não consegue). Sempre lembro de um texto de Bukowski que diz: “Sentia vontade de chorar, mas não saía lágrima alguma. Era só uma espécie de tristeza, de náusea, uma mistura de uma com a outra, não existe nada pior”. E não existe mesmo! Esse sentimento constante de náusea é o que me persegue. Estou lendo “A Náusea” de Sartre. Foi aí que pude perceber como essa sensação não é uma particularidade minha. Óbvio que, biologicamente falando, é algo comum. Mas não é deste modo que me refiro. É algo muito além disso, é constante e as vezes engessa.
Por várias vezes deixei de ir a lugares por me sentir assim. Algumas conversas me dão náusea; algumas pessoas me dão náusea; certos lugares me dão náusea; enfim, é uma sensação constante que dificulta vários aspectos da minha vida. E como posso entender isso? Como posso fazer com que outras pessoas entendam? Bom, eu não sei. Pra falar a verdade, desisti de saber. Me dei conta que tem coisas que só existem para serem sentidas. E eu sinto.
