Todas as minhas relações acabaram se tornando um pouco menos urgentes conforme fui crescendo. Com a minha mãe eu aprendi a ter paciência. As mulheres que amei, tentei ir com muito mais calma. Com amigos eu desejei poucos momentos longos ao invés de muitos curtos porque eu queria vê-los, não só com os olhos que expandem, mas com aqueles que lembram. Eu quero saber o ponto de gelo que eles gostam na cerveja e que temperos preferem no macarrão. Todas as minhas relações se tornaram um pouco mais lentas conforme eu fui crescendo, embora eu estivesse correndo atrás de tantas coisas pra mim, embora todos estivessem correndo atrás de tantas coisas pra si, a gente entendeu e eu acho que a gente escolheu que o tempo que compartilharíamos juntos teria a ilusão de que só existe o nosso ritmo, que só existe o amor no relógio, nada mais.
Eu acho que uma das coisas que crescer me trouxe, foi conseguir escolher para onde correr, foi conseguir decidir o que é bom e o que não é e até onde sofrer quando me engano. Porque não há idade pra gente deixar de fazer más escolhas.
Todas as minhas relações acabaram se tornando menos urgentes conforme fui crescendo.
Eu mesma abri mão do meu vínculo emergencial com tudo, porque eu quero sim fazer muitas coisas, eu quero sim mudar outras tantas e eu quero olhar de verdade, eu quero ver, eu quero lembrar pausadamente de tudo, como quando a gente abraça alguém que gosta muito,
eu não quero soltar das coisas assim
eu já soltei demais
eu quero laços.
