O orgulho de morar na vila
Reportagem produzida em outubro de 2014 para a disciplina Jornalismo Especializado
Há quem tenha vergonha de dizer que mora em favela por medo do que os outros vão pensar. Com base nisso, Carlos Eduardo de Almeida, conhecido como Duda, líder comunitário da Vila Marimbondo em Contagem, criou o projeto Vila Feliz. Ele objetiva é preciso dar qualidade de vida pra comunidade para que os moradores tenham dignidade e orgulho de morar na vila. “Há um tempo os moradores tinham vergonha de colocar onde moravam no currículo com preconceito das empresas não contratarem, e por isso, estamos lutando por melhorias na comunidade”, diz.
Algumas casas não possuíam muros, então o projeto se iniciou em 2012 com a construção desses muros para que os moradores tivessem privacidade. Foram beneficiadas 180 casas. O dinheiro do material de construção arrecadado em um evento chamado Motocando criado também por Duda. É um encontro de motoqueiros fundado em 2007 e quem quiser pode participar. Foi feita uma parceria com o depósito de construção e a entrada era um ticket comprado no deposito para ser revestido em material de construção.
Antes, as fachadas das casas eram todas pixadas, então novamente com o Motocando foi arrecadado dinheiro para comprar tintas e revitalizar as entradas das casas. Com a ajuda dos moradores foram pintadas cerca de 997 fachadas, além de ajudar na mão de obra os moradores também doavam tintas.

REVITALIZANDO VIDAS
Ações culturais também são realizadas para ajudar na arrecadação. É vendida a camisa do projeto que custa 10 reais, porém não é obrigatória sua compra para entrar nos eventos. Em uma das ações, a moradora Luciana Aparecida Firmino, auxiliar de serviços gerais, foi beneficiada com uma casa própria.
O líder comunitário já vinha observando a luta de Luciana há algum tempo. Mãe solteira de seis filhos, ela passava dificuldades e deixava de comprar comida para pagar o aluguel “Agora não falta nada, pode olhar a geladeira tem de tudo ali, não fica lotada, mas eu compro todo dia o que precisar. Sobra dinheiro pra cuidar de mim e deles também, antes não tinha dinheiro pra cortar cabelo de todos, agora eu posso ir no salão fazer minhas unhas e eu estou muito feliz”, conta.
Luciana recebeu a chave da casa em um show realizado na vila com o cantor MC Frank, em que quatro mil pessoas participaram e foram arrecadados 30 mil. “Cada coisa que eu faço eu me lembro do Duda, eu penso que esse dinheiro tá sobrando por causa dele. E ele sempre me ajudou, teve aniversário do meu filho que ele trouxe refrigerante e é um aniversário que meu filho jamais esqueceu. Depois que eu ganhei a casa, ele vem sempre aqui e me dá assistência”, relata Luciana.
O projeto não para por aí. Atualmente a ideia é reformar os banheiros das casas. Vai ser feita vistoria em todas as casas e a pretensão é de que, em breve, já comecem os trabalhos.

O AGRADECIMENTO
Luciana não sabe ler e escrever e contou que não tinha agradecido do jeito que queria ao Duda. Aproveitando a oportunidade de um evento na vila, conseguiu ajuda para montar uma faixa escrita com agradecimentos por tudo que ele faz por ela e pela comunidade. Ela tem vergonha de falar em público por não saber falar formalmente, então a ideia de subir no palco e falar no microfone foi descartada, mas ela soube contornar a situação.
No dia 4 de outubro os preparativos para o show começaram cedo e Luciana e dois de seus filhos foram até o local levaram a faixa e abriram para o Duda. Ele ficou surpreendido e se emocionou. A faixa ficou pendurada entre um poste e uma árvore no alto da rua para que todos que fossem no evento pudessem ver.

Duda sempre procura mostrar outro caminho para os jovens que não seja as drogas, se a desculpa é traficar para ajudar a mãe em casa ele ajuda e não deixa isso acontecer “Eles falam mal de funk, mas se os meninos não estão envolvidos com droga já é o suficiente.” relata.
O Evento aconteceu de 9h até às 22h sempre com a participação de muitas pessoas e para ajudar alguém. A solidariedade da vez foi para uma garota que foi atropelada e mora na vila do bairro Nova Contagem, a garota se encontra acamada e com uma dieta que custa 55 reais por dia. O dinheiro da venda das blusas para o evento será todo revestido para ajudá-la.
