O vagão é a solução?
Reportagem produzida em abril de 2014 para a disciplina Apuração e Redação
A fim de evitar situações de assédio às mulheres no metrô em horário de pico, Belo Horizonte discute a possibilidade de destinar um vagão exclusivo a mulheres no metrô. O “vagão rosa”, que já circula há oito anos no metrô do Rio de Janeiro e recentemente foi implantado em Brasília. Um projeto de lei pretende obrigar os responsáveis pelo trem metropolitano a destinar um vagão exclusivo para mulheres. A proposta foi apresentada pelo presidente da Câmara da capital, o vereador Léo Burguês (PTdoB), no fim do ano passado.
As opiniões das pessoas sobre a implantação do “vagão rosa” se dividem. Os que se dizem contra afirmam que preferem investimentos mais efetivos no transporte público do que separar homens e mulheres.
Também falam sobre reeducação, pois o “vagão rosa” excluiria a vítima além do que só seria uma solução rápida e daria o direito do homem pensar que em outro lugar que não seja o metrô é permitido o assédio. “Sou contra, se for assim toda ‘classe’ teria direito a um vagão exclusivo e se o motivo for por causa de assédio vai estar apenas tapando o sol com a peneira, quem não assediar no metrô vai assediar em outro lugar”, diz Clayton Fabiano da Silva, 24 anos, usuário diário do metrô de BH.
A maioria dos usuários são mulheres (65% de acordo com os dados) um vagão rosa não irá comportar todas e as que não conseguissem entrar no vagão teriam que esperar o próximo ou entrar em um vagão em que a quantidade de homem estaria maior e que alguns até poderiam pensar que se ela estava lá mesmo tendo um vagão prioritário é porque permite ser assediada.
“Eu sempre fui contra o ditado os incomodados que se retirem, se um está incomodando não vejo o motivo dos outros 99 se retirarem. Eu acho que são os homens que têm de aprender a serem educados, porque não adianta separar no metrô e continuar a mesma coisa na rua. Uma solução seria a importância dos valores por parte da família desde sempre, e na escola também para formar adultos melhores no futuro.”, relato de Camilia Vieira Gonçalves, 19 anos também usuária diária do metrô, inclusive nos horários de pico.
Os horários de pico do metrô, que são entre 6h às 8h e 16h às 19h, deixam os vagões extremamente lotados fazendo com que as pessoas se esbarram e fiquem encostadas umas nas outras mesmo sem querer. Porém, alguns homens aproveitam dessa situação e abusam da falta de respeito “encoxando” e pegando nas partes íntimas das mulheres criando uma situação bastante desagradável.
Em geral o máximo que acontece é uma discussão e algumas até com agressões, muitas mulheres não denunciam por vergonha e também porque é tudo muito rápido. Não há segurança dentro dos vagões, então o assediador muitas vezes nem é reconhecido e simplesmente sai do vagão como se nada tivesse ocorrido.
“Sou a favor do vagão rosa porque acredito que as mulheres não merecem passar por situações de assédio diariamente”, conta Joanna Arco Verde Fernandes, 16 anos, que utiliza o metrô ao menos três vezes por semana e diz ter passado por situações incômodas nas quais o metrô estava superlotado. Ela acredita que o vagão rosa é a alternativa extrema antes dessa medida, e que poderiam ter campanhas de conscientização e a mídia podia abordar melhor esse assunto.
Contrariando com Clayton, Joanna acredita que seja necessário um vagão para deficientes, gestantes e idosos, ela acha que assim como as mulheres precisam de certa atenção, pessoas com maiores dificuldades também precisam.
Thaís Rodrigues de Oliveira, 19 anos, que se diz a favor do “vagão rosa” não utiliza o metrô frequentemente, mas já utilizou. Ela concorda que não seria a total solução, porém seria uma alternativa viável para amenizar um pouco o problema. “A solução é educação e respeito e isso governo nenhum consegue dar sozinho, isso tem q vir de casa.” diz.
A assessoria da CBTU informa através de nota que cumprirá todas as determinações legais que vierem a ser implantadas por força de legislação a que esteja sujeita, adequando a operação do metrô ao cumprimento das mesmas. Desde o lançamento da Proposta de Lei na Câmara, a Companhia acompanha a discussão sobre o assunto e aguarda o andamento natural do processo, certa de que todo benefício extensivo ao usuário do metrô será bem-vindo.
