Sobre subserviência e humildade

Subserviência

substantivo feminino

  1. sujeição servil à vontade alheia, submissão voluntária a alguém ou a alguma coisa; servilismo.

2. ato ou efeito de bajular; adulação, bajulação.

Humildade

substantivo feminino

  1. qualidade de humilde.

2. virtude caracterizada pela consciência das próprias limitações; modéstia, simplicidade.

É comum à uma mulher negra ser sempre posta “no seu lugar” por pessoas que se incomodam ao vê-la destacar-se de alguma maneira, seja como melhor aluna da sala, seja como melhor profissional da empresa. Haverão sempre as piadas de que você parece a faxineira, que você não deveria estudar e se profissionalizar. Enfim, há uma grande quantidade de pessoas que não querem nos ver em destaque, que esperam que baixemos nossas cabeças, levantemos as mãos aos céus e agradeçamos por sofrer racismo institucional mas, ter um teto, uma casa e um emprego de merda. Afinal de contas se você não esta contente com tudo isso é uma ingrata que reclama demais. Raivosa!

Eu sempre (to trazendo para o pessoal por ser um desabafo) tive que me manter em silêncio em várias situações porque do contrario seria chamada de soberba. Por exemplo, tenho noções básicas de inglês e aprendi sozinha, na escola tive que esconder essa habilidade pra não ser chamada de metida, pra não ser tirada saca? Ninguém amaciava ou elogiava minhas habilidades de autodidata mas, era só chegar uma aluna branca com o mesmo conhecimento que pronto: todo mundo caia de amores pela inteligência dela.

Não fica apenas nesse campo, a necessidade de ver negras subservientes se alastra pra todos os lugares, não cabe à negra sentir-se bela, não cabe estar em paz com suas formas. À negra cabe colocar-se em seu lugar. Mas, se por acaso essa se modifica, por exemplo, alisa os cabelos, é porque não se ama e não sente-se orgulhosa de ser quem é. Todavia se ela o faz, é soberba e desumilde.

É quase impossível entender o que esperam de nós além que estejamos vestidas com uniformes pretos e aventais brancos de babados, semianalfabetas servindo mesas.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.