Os humanos são desumanos

Crônica sobre as desigualdades

A sociedade é tão evoluída e civilizada, mas se contradiz quando algumas pessoas se fecham para seus semelhantes. Créditos de imagem: https://goo.gl/ZIZKol

Ao pesquisar por curiosidade a palavra humano, confesso que fiquei surpresa com o que encontrei.

De acordo com o Wikipédia, a maior enciclopédia livre da internet, ela vem do latim e significa “homem sábio” que possui um cérebro altamente desenvolvido, social por natureza, tanto na linguagem verbal, quanto gestual e emocional.

Social por natureza? Que ironia!

Afinal, a invisibilidade social é um problema que a nossa sociedade compactua todos os dias, em todos os lugares.

Se eu possuir um cargo social “digno” e dentro do padrão, serei vista e poderei até receber um bom dia, caso contrário ou até mesmo se eu for uma pessoa idosa e não tiver um emprego no padrão proposto, eu simplesmente deixo de existir, sou invisível.

Criticamos tanto o governo por nos oferecer uma administração desestruturada econômica e moralmente, alimentando mais ricos e enterrando cada vez mais pobres.

Reclamamos que nossos representantes não pensam em nós, mas não somos capazes de olhar para o lado e ver que estamos fazendo quase a mesma coisa.

Os humanos são desumanos quando ignoram a existência de alguém que não está no mesmo padrão social que os seus.

São desumanos, quando se recusam a dar bom dia e um sorriso para um morador de rua ou um desconhecido.

São desumanos, quando fingem que não veem as pessoas que usam uniformes de faxineiros, porteiro, gari, ou qualquer outra profissão que mesmo sendo digna, é menosprezada.

Quando foi que perdemos nossa essência e deixamos de cumprir nosso papel humano? Aceitando que objetos e cargos sociais substituíssem o lugar da dignidade e compaixão em reconhecer o próximo?

Ao parar e refletir sobre todas essas desigualdades existentes em cada eixo social, eu sinto tristeza.

Quando comparo os valores e percebo que está tudo tão desordenado e desonesto, sinto revolta e um grande luto pela nossa sociedade.

Catedral diz algo tão óbvio em uma música: “Somos todos iguais, na chegada e na partida, no encontro e despedida, na jornada pela vida sem saber”.

É um paradoxo sermos tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais.

Mas somos iguais sim!

Somos todos feitos de pele e osso e com um coração que nos mantém vivos todos os dias.

O que nos torna diferentes são as nossas crenças, cargos sociais e outras características distintas. Mas, ainda assim, todos buscamos por algo e alguém num mundo tão imenso e que reserva um lugarzinho para cada um de nós.

Tenho certeza que viveríamos melhores se aprendêssemos a amar não só aqueles que se parecem conosco ou aqueles que convivem com a gente.

Mas principalmente, aqueles que não conhecemos e até mesmo, aqueles que nunca chegaremos a conhecer.

Sejamos humanos, não desumanos!