“A dor das crianças agressivas”

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Imagem: Tumblr

O comportamento agressivo na infância é um tema frequente na atualidade e tem sido fonte de preocupação de pais, educadores e da sociedade em geral. Para nos aprofundarmos sobre esse assunto, devemos entender sobre o conceito de “criança”, que se esbarra em um contexto socioeconômico, histórico e cultural.

“Meados de séculos passados as crianças eram consideradas como elementos que serviam aos pais, sem direitos de escolha e opiniões, pois os pais eram considerados o poder da família, não dando voz para os filhos.Hoje porém se fez necessário uma reestruturação familiar, até mesmo devido ao avanço tecnológico e a alteração do conceito saúde. Dessa forma passou-se a pensar em uma reeducação em que estavam envolvidos: alimentação, disciplina, pedagogia, e revisão nos papéis de pai e mãe.[2]

Portanto a criança atualmente é um menor que tem deveres, mas também é possuidora de direitos, direitos estes preconizados pelo Estatuto da Criança e Adolescente ( ECA), além de órgãos que auxiliam no cumprimento deste estatuto. Diante destes avanços na estrutura familiar e social da criança, novos papéis surgiram não somente por parte de pais e educadores, exigindo da criança um comportamento mais “responsável e adulto”.


Normalmente as crianças possuem um desejo muito forte por fazer ou desejar algo, almejando ser o centro das atenções(egocentrismo). “Este comportamento é normal e, em sua maioria a criança age não racionalmente mas emocionalmente diante de várias situações de seu dia-a-dia. Por não saberem lidar com alguns sentimentos, podem expressá-las por meio de atos agressivos.”[3]

“Quando Winnicott se aprofunda sobre a manifestação desses impulsos, ele considera que essa agressividade se modela através do ambiente facilitador em que a criança está envolvida. Também considera que essa pulsão de agressividade quando criança, não vem com a intenção de destruir alguma coisa, mas sim de uma sensação ansiosa e de culpa.Ele ressalta o quão importante é o papel da mãe nesse momento, e para que elas sejam mães facilitadoras, que deve proporcionar apoio, estrutura para a criança, dando confiança, mostrando-se disponível, tendo tolerância, suprindo as necessidades emocionais, oferecendo segurança.”[4]

As crianças estão no processo de aprendizado natural da vida, de conter as próprias emoções e frustrações: do aprender que nem tudo ela poderá fazer ou dizer. Porém neste processo existe uma dificuldade imensa de alguns adultos em dizer “NÃO” para a criança, fazendo com que ela cresça com o sentimento de que pode consumar o que quiser, habituando-se a fazer as coisas da maneira dela, não sendo frustrada em seus desejos e anseios.

E quando são confrontadas em alguma situação em que o seu querer não é aceito ou realizado, reagem com agressividade e impulsividade. As crises agressivas ficam cada vez mais fortes e frequentes e, se não controladas, podem levar a auto agressão ou a agredirem pessoas próximas de seu vínculo social e familiar.

É relevante dizer que este estado de ser é uma maneira de comunicar este sentimento. Mas a agressividade não aparece de maneira consciente ou intencional, é uma resposta natural, de um desconforto diante de uma situação.[5]

Podemos também entender que agressividade em crianças pode estar relacionada a outros fatores.

“Um estudo aponta que existe relação entre punição física e agressividade. Crianças que presenciam comportamentos agressivos severos em casa têm índice maior de agressividade nas escolas e ainda diz que essa agressividade pode aparecer como uma forma de “pedido de ajuda”.[6]

As conseqüências do comportamento de violência causam danos, tanto físicos como psíquicos, desencadeando conflitos internos que podem trazer alguns transtornos como ansiedade, depressão e também sentimentos de inutilidade e culpa entre outras diversas formas de sofrimento. Dessa forma causando dificuldades no decorrer do desenvolvimento da criança, e na maioria das vezes contribuí para potencializar a agressividade, podendo levar a conduta anti-social.


Diante de tudo é importante compreender que a agressividade esconde uma dor, a dor da insegurança, de sentir que não possui o apoio necessário para um desenvolvimento saudável e natural como toda criança deve ter…


Nestes casos se faz necessário um atendimento especifico, deve ser procurado psicólogos, pedagogos, psiquiatras, psicopedagogos, para um entendimento do caso mais a fundo, pois esse tema traz um campo de inúmeras histórias e significados.

Nadir Rodrigues — Psicóloga Clínica — CRP 06/130249 -Graduada em Psicologia pela Universidade de Santo Amaro (UNISA).

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