A gente não precisa bancar o superior

Faz algumas semanas que eu percebi que, nos últimos meses, eu estava me esforçando demais para bancar a superior. Tentei manter uma relação “saudável” com gente que me fazia mal, evitei falar mal ou contar todas as mágoas que sentia para não parecer que estava “ressentida”. Tudo isso me veio à tona após ler um texto do Think Olga.

Desde que terminei um relacionamento longo, algumas pessoas têm me dito que eu só fico mais bonita e pareço mais feliz. Meu primeiro pensamento foi: “Se pá eu estou forçando a barra para parecer que saí por cima”. Nisso, comecei a pegar mais leve nas fotos que publicava, já que não queria ser mais uma ~sOlTeIrA sIM, SozINhA nUnCA. Só que não era isso. É que, algumas vezes, as pessoas derrubam umas às outras sem nem se tocar e, quando nos afastamos dela, a nossa luz volta a brilhar.

Quando você fica anos em um relacionamento que faz você se sentir desinteressante e assexuada, você começa a acreditar nisso. Porém, quando percebe que saiu daquele ambiente que a colocava para baixo, você descobre um novo jeito de lidar com o seu corpo, com a sua personalidade, com o seu eu. E este tipo de consciência não passa em branco, ela transparece na forma que você se relaciona com o mundo ao redor.

Este foi o meu caso. Mas aí eu tive essa necessidade de colocar panos quentes na situação. Não deixava meus amigos ficarem indignados com as coisas que aconteceram. Contava as coisas pela metade para evitar o dito CLIMÃO.

Mas, nessa minha busca para evitar situações constrangedoras, eu comecei a perceber que estava me privando de coisas legais (como andar de mãos dadas com um cara que curto) e diminuindo a culpa das pessoas pelas coisas que aconteceram. Ou seja, eu era a única que estava sofrendo com esta minha necessidade de parecer superior.

Hoje em dia, quando me perguntam, eu falo a verdade. Contei para amigos em comum e os deixei acreditar ou não em mim. Ninguém tem a obrigação de tomar o meu lado, mas eu também não preciso aliviar para ninguém.

Fazer terapia fez eu perceber que tenho que me respeitar mais. Levar em conta os meus limites na hora de ajudar as pessoas. Não posso cuidar de uma amiga que está mal se eu também não estiver 100%, certo?

Não preciso parecer fina e maravilhosa para o mundo, enquanto, por dentro, estou morrendo. Não tenho que sair por cima, só tenho que ser eu. E a gente não precisa ser superior quando alguém te fez mal se a gente quer fazer um escândalo. A gente tem que fazer o que quiser, só tem que nos fazer bem.

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