Eu não fui a primeira e nem a última a cair no papo de um rapaz com síndrome de Rob.

Rob, o protagonista de “Alta Fidelidade”, é muito influenciado pelas músicas de amor e pela cultura pop. E isso faz com que ele seja um tremendo babaca.

Deixa eu contar uma história: Rapaz conhece Garota. Rapaz fica apaixonadíssimo no primeiro encontro. Ele acha que ela é a mulher da vida dele. Garota, mais racional e calejada, fala “opa, pera aí”. Rapaz sente suas ganas de viver um filme de John Hughes ficarem frustradas. Rapaz conhece Outra Garota. Ele fica apaixonadíssimo no primeiro encontro. A Garota, a do começo da história, não entende nada. Como assim ele mudou de ideia de um dia para o outro? O amor já não existia?

Não, não existia. O que existia era o friozinho na barriga pelo qual Rob era viciadíssimo. O friozinho que fez ele estragar o próprio relacionamento. E o pior de tudo é que ele realmente acha que é apenas uma vítima do roteiro doido da própria vida.

Amigo, venha aqui, pegue a minha mão: A VIDA NÃO É UMA COMÉDIA ROMÂNTICA. A gente acha que são as mulheres que são influenciadas por essas histórias doidas e mirabolantes de amores excitantes e difíceis, mas não. Eu já cai em um papinho de Rob — por sinal, dei o fora nele quando ele disse que estava confuso entre eu e uma outra menina. Um mês depois ele estava namorando uma terceira garota. Ou seja…

Outro caso: Rapaz conhece Garota. Romantiza toda a parada. Garota entra na vibe. Um lindo dia, o frio na barriga fica mais intenso e Rapaz entra em pânico. Fica confuso. Garota fica completamente perdida.

Romantizar relacionamentos sendo que você não está completamente certo disso é muitíssimo irresponsável. As pessoas criam expectativas de acordo com a forma que vocês interagem. Se você só chama o outro para transar na quinta-feira à noite depois do rolê, é uma forma de relacionamento. Se você faz planos juntos, apresenta para os amigos, é outra completamente diferente. Ambas as formas são válidas, mas as expectativas precisam estar alinhadas. Então, criar um romance que você não está pronto para bancar é brincar com isso. Machuca demais. Pense que, muito mais do que o seu tesão e a sua vontade de dizer que ama os outros após o gozo, existe uma outra pessoa com você na cama.

Amor não tem que ser dolorido que nem um salto alto. Ele tem que ser quentinho e confortável como um moletom. Por isso, muito antes de começar a vestir esse abrigo, pense se você realmente o quer. Para quê dar a ideia de ambos vestir o moletom se você não tem tanta certeza assim e pode não deixar passar a blusa da sua cabeça?

Assuma a responsabilidade pelas suas ações, pelas suas decisões. Não existe um roteirista ganhador do Globo de Ouro de comédia escrevendo a sua vida. Você é o autor de sua trajetória. Lembre-se: foi a cultura pop que estragou a maneira que nos relacionamos. Tudo isso muito antes dos aplicativos de pegação.

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