o último feriado prolongado

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era o meu feriado de plantão, mas ele ia viajar no fim de semana. ele estava com os amigos em um bar e queria que eu fosse encontrá-lo. cogitei em não ir. estava chovendo, eu estava cansada, ia trabalhar nos dois dias seguintes. mas a gente não ia se ver no fim de semana. respirei e fui.

cheguei lá e estavam todos cabisbaixos, “bodeados” por causa da chuva. chamei pra eles irem para a minha casa, algumas quadras dali. lá, dei um baralho para todo mundo jogar, distribui copos de catuaba. enquanto escolhia uma música, vi ele pegando na perna da Amiga dele. saí pra cozinha e me acompanhou, me acalmou, disse que não tinha feito nada. voltei e continuei sendo a anfitriã, mas perto das duas fui deitar. “vou acordar cedo amanhã”. todo mundo foi embora. ele demorou mais de meia-hora para levar a Amiga até a porta do prédio.

tinha um show dele. ele queria que eu fosse de qualquer jeito. mas eu estava trabalhando, ia sair tarde. ele insitiu. é, eu não ia vê-lo no fim de semana, então aproveitei a oportunidade de passar um tempo com ele. larguei um trabalho na metade e fui. encontrei a Amiga, ela não falou comigo. a Baterista da banda dele foi fria. meu melhor amigo chegou, tudo ficou melhor.

no fim do show, estávamos esperando ele guardar os equipamentos quando o vi conversando com a Baterista. “você está bem?”, ele perguntou pra ela. ele a tocava no cotovelo, falava com um voz carinhosa. o mesmo toque, a mesma voz que falava comigo. “como se fosse namorada dele…”. deixei pra lá, a gente não ia se ver no fim de semana, pra quê brigar. ele se despediu da Amiga que não falou comigo, da baterista, saímos sorridentes pela avenida curtindo o clima friozinho do feriado.

ele viajou. estava com um problema na bateria do celular, mal os falamos. não queria gastar toda a bateria dele. saí de balada com os meus amigos no sábado. tinha algo estranho. a gente sempre sente. mas a gente não ia se ver naquele fim de semana.

ele voltou no domingo à noite. estava sério, mudo, brabo. estava encasquetado com algo que eu tinha feito. perguntei, insisti, ele falou. não lembro mais o que era, mas eu pedi desculpas do fundo do meu coração. eu sempre pedia.

sonhei que uma nova integrante da banda dele ria da minha cara porque eles se pegavam sem eu saber. abri os olhos, assustada. precisava, necessitava mexer no celular dele. peguei o aparelho e fui para o banheiro. o coração batendo na orelha. a gata miando alto. “xiiii, não acorda ele”, eu disse, sentada no vaso sanitário, a perna tremendo sem parar.

no celular, algumas conversas. duas mensagens:

Para a Amiga: “Não vou poder ficar com você hoje depois do show porque ela quer ficar comigo. Sinto muito, queria te ver”

Da Baterista: “Você bêbado? Quero”

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