o primeiro feriado prolongado

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a gente se conhecia há quase 10 anos, mas nunca passava dos “ois” em baladas ou troca de mensagens sobre séries nas redes sociais. achava ele legal, descolado demais para ser meu amigo. até uma fatídica virada do ano.

eu e uma amiga víamos um casal de amigos se pegando. “nossa, olha como eles são lindos”, a gente brincava. a gente estava bêbada, fim de festa, o sol estava nascendo. eu e ela, rindo à toa, vendo os nossos Instagrams. “acho esse cara legal e bem bonito, mas ele nunca me daria bola”. ela pegou o meu celular e deu 10, 15 likes seguidos em fotos novas e antigas. eu só soube rir com um tabuleiro de coxinhas no colo.

uma semana depois pipoca uma mensagem. era o Descolado puxando assunto na recém-lançada caixa de mensagens do Instagram. “eita”. trocamos ideias, trocamos telefones, mas não trocamos mais nada. a gente estava em outra. ambos. a gente não se falou mais, mas a troca de likes continuou eventualmente.

seis meses depois, estou encostada em uma parede pixada. bêbada demais para dançar. bêbada demais para ir para casa. via as pessoas dançando quando um rapaz alto chegou perto, sorrindo. o Descolado. sorri, dei “oi”, ele comentou: “você é alta, né?”. tava bêbada demais para conversar. beijei. eram 4 ou 5 da manhã. “tem algum problema com gatos?” “não, por quê?” “eu tenho 3” “ah”.

ele me acorda às 8h da manhã. levo ele até a porta e caio de novo na cama. mais tarde, ele manda uma mensagem dizendo que poderíamos repetir a dose. sorri: “nunca mais vai acontecer”. volto a ver série.

três meses depois, eu o vejo em um aplicativo de relacionamento. dou o like só para dar uma risada. dá match. trocamos mensagens, trocamos mensagens no celular, trocamos risadas, trocamos possíveis datas para se ver, trocamos pedaços de batata fritas, trocamos copos de chope, trocamos olhares, trocamos memes, trocamos piadas. trocamos mais um beijo. “vai ser só isso mesmo, tenho certeza”

uma semana depois. feriado prolongado. a gente se encontra num café. ambos de roupa vermelha. “que coisa ridícula”, comento, envergonhada. conversamos meio sem jeito. “é isso, acabou o encanto”. ficamos bêbados e as trocas recomeçam. expulso a colega de quarto. nossa primeira grande troca.

“pronto, agora já transamos, acabou, não vai rolar mais”.

a gente se encontra no dia seguinte, no mesmo lugar da parede pixada. a gente troca olhares e se beija, no meio do bar.

dois dias depois, a gente se encontra no cinema. trocamos impressões sobre um filme. concordamos que o cara era romântico demais. trocamos 16 horas de cobertor em casa por 16 horas de conversas e andanças pelo bairro.

um grande encontro que transformou o nosso primeiro feriado prolongado.

Descolado: “Vamos fazer mais grandes encontros?”

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