Como diminuir os custos com seu carro

ou melhor, os benefícios de uma vida compartilhada.

Ou ainda: como tem sido minha vida no Fleety.


Meu histórico de vida compartilhada tem uns bons dois anos. Posso te dar exemplo de sharing pra tudo, de casa a roupa.

O que eu gostaria de contar: toda a experiência de compartilhar uma vida com os outros. O que as pessoas querem ouvir: quanto dinheiro ganhei e quantas gringas passaram pela minha mão.

Antes que eu comece um textão reclamando dessa visão que as pessoas têm, vou contar minha experiência com algo novo: carro. Exatamente do ponto de vista que as pessoas querem ouvir: grana.

Seis meses atrás fui convidado pra trabalhar no Fleety, um serviço de compartilhamento de carros. Aceitei.

Fonte: Startup Stock Photos

Três semanas atrás coloquei um carro pras pessoas alugarem — a melhor forma de testar algo que você faz é usando.

O meu dia a dia

Eu não uso carro. Vou trabalhar de bicicleta e, caso chova, vou de ônibus. É mais prático e barato. É meu exercício físico diário e, eventualmente, o tempo que uso pra ouvir podcasts (quando pego ônibus).

Um carro só me é essencial quando tenho que levar os cachorros pra algum canto ou visitar a família.

Fonte: JéShots.

Porém duas semanas atrás fiz a proeza de tirar o joelho do lugar, o carro se tornou extremamente útil já que estou proibido de pedalar e andar até o ponto de ônibus é incômodo e doloroso.

Ainda que esteja com o carro, uso ele 1 hora por dia. As outras 23 horas ele fica parado.

Agora, ao invés de extender nos porquês e contextualizar, vamos direto ao ponto (é o que todo mundo quer ouvir).

Compartilhando o carro

Cadastrei um carro no Fleety e defini um preço: dez reais a hora. Durante 2 semanas aluguei o carro 6 vezes, ganhei R$ 965,00.

Pronto, mais direto impossível. É sempre assim, querem saber de cara quanto você ganha. Depois vêm as perguntas.


Mas você ficou sem carro daí, né?

Não, todas as vezes que aluguei foram pra períodos que eu não estaria com o carro. Na verdade teve uma vez que precisei voltar de ônibus pra casa, mas ganhar 80 reais pra isso pareceu uma troca justa.

É, mas você precisa estar disponível pra entregar e receber o carro, né?

Sim e não. Eu fico porque faço questão de conhecer quem vai dirigir o carro. Mas teve um dia que deixei a chave na recepção, foi tranquilo.

E se a pessoa bater o carro?

Tem seguro cara-pálida, o Fleety tem uma boa cobertura.

E se a pessoa não tiver carteira?

Aí o Fleety nem deixa ela alugar.

E se a pessoa vomitar no meu carro?

Pare né, ninguém vomita no carro. Se vomitar, eu vou entender que realmente foi necessário e espero que a pessoa se comprometa a limpar.

Mas se baterem você vai ficar sem carro, né?

Vou, é um risco que se corre. Assim como você também pode ficar sem carro caso haja qualquer imprevisto.

Ah, mas eu tenho ciúme do meu carro, não empresto pra ninguém.

Beleza, então não aluga. Ninguém é obrigado.

E a gasolina? O povo abastece daí?

O Fleety faz a gestão do combustível. Eu falo quantos quilômetros o carro faz por litro e eles cobram direto de quem alugou (baseado no quanto a pessoa andou com o carro).

Mas e se você precisar usar o carro?

Bom, aí paciência, eu aluguei. Mas é bom lembrar: eu estou recebendo pelo trâmite de estar sem carro, então mesmo que eu precise pegar um táxi, ainda assim compensa.

E se você não quiser alugar naquele dia?

Aí você recusa. Você não é obrigado a alugar o carro pra todo mundo. Nessas duas semanas eu mais recusei solicitações do que aceitei.

Você poderia ter feito mais dinheiro então?

Sim, poderia. Mas aí o carro ficaria muito tempo fora.

10 reais tá muito barato.

Eu sei, mas é justamente porque eu queria testar. Se tivesse mais caro, eu teria feito mais dinheiro.

Mas ah, nem compensa. Foi menos de mil reais.

Pra mim compensa, ajuda nos custos do carro oras.

Mas você tá precisando tanto de dinheiro assim?

Nããããããããããããoooo, eu só acho que é uma forma mais inteligente de se viver.


A inerente negatividade

Todas as vezes que falo sobre compartilhamento, seja almoço com preço livre, hospedar alguém de outro país, dormir na casa de um estranho, emprestar uma furadeira ou alugar um carro, as pessoas sempre são negativas.

Todo mundo acha que alguma merda vai acontecer, é uma condição natural do ser humano.

Enquanto pensam no pior, eu gosto de pensar na parte boa.

  • Ajudar alguém que teve um imprevisto e ia gastar mais de 100 reais de táxi, a gastar só 25.
  • Dar risada com os amigos porque duas francesas fizeram seu amigo passar um fim de semana falando “eu amo comer homens” (ele só queria dizer “eu gosto de misto quente”).
  • Ver um casal usar seu carro pra um bate-volta mais prático na Ilha do Mel.
  • Viajar e descobrir lugares que você jamais acharia no TripAdvisor (ou Foursquare).
  • Se hospedar numa casa mais maneira que qualquer hotel 5 estrelas (e pelo preço de um hostel).

Eu posso passar semanas contando cada história maneira que rolou. Histórias ruins? Juro, não lembro de nenhuma.

Então mais do que falar sobre “ganhe dinheiro com seu carro”, esse texto é sobre como ter uma vida melhor compartilhando-a com outras pessoas.

Font: Snapwire Snaps.

Eu poderia contar cada coisa boa que aconteceu quando abri um quarto vazio da minha casa pra pessoas no meu tempo livre. São histórias incríveis mas só me perguntam sobre grana e coisas negativas. Sempre.

Então ao invés de contar que em 2014 eu faturei mais de 20 mil reais com um quarto vazio em casa e ter que aturar todas as perguntas “e se?”, eu enfiei um jabá aí no meio, contei uma experiência nova de um nicho novo e já antecipei todas as perguntas negativas que sempre tem.

Enquanto todo mundo deixa de fazer algo por conta da negatividade e desconfiança, eu estou aqui com aulas de inglês de graça, fazendo amigos pelo mundo todo, podendo viajar e não gastar 1 centavo com hotel, e, porque não, praticamente zerando parte dos custos de manter um carro.

A questão é que sharing não é sobre grana, sharing é experiência. Dinheiro é só uma das consequências dessa atitude.