Lean UX no mercado brasileiro

Uma linha de raciocínio do porquê estamos tão empacados.


Estive relendo um artigo no Designmodo sobre wireframe e prototipação quando me veio esse texto (parte eu cheguei a compartilhar por email no trabalho). Esse artigo do Designmodo é longo mas, sério, leiam. Traz pontos interessantes sobre a origem e futuro dos conceitos de Agile UX e Lean UX.

Lean UX é um dos pontos mais carentes(e críticos) do mercado atual. Na verdade temos quase nada, o que temos são equipes inteiras dedicadas à experiência do usuário que na verdade são fazedores de wireframes/layouts. Isso vai desde grandes agências até estúdios menores. Lean UX inexiste.

Foto do Flickr de um tal de dvs.

No mercado internacional é fácil achar cases de estúdios que conseguiram incluir Lean UX na sua rotina e evoluíram. Não se trata mais de entregar x, mas sim fazer aquele x ser o melhor do mercado. E é impossível fazer isso numa entrega única. Fazer o melhor x do mercado envolve botar no ar, testar, refazer, botar no ar, testar, pivotar, refazer…

Empresas brasileiras adoram isso como argumento de venda, o cliente adora ouvir e é algo que convence. Mas na prática falamos de algo que quase sempre envolve uma entrega única.

"Senhor, seu wireframe vai custar mil reais"

É claro, o mercado brasileiro não tem essa abertura, costuma pagar apenas por entregas, não por rotinas. Mas isso também é um desafio lá fora e culpar o mercado brasileiro é a desculpa mais fácil pra nossa incompetência.

Quando falam que é impossível vender Lean UX porque o cliente não quer pagar, eu discordo. O que falta é um melhor entendimento de ambas as partes sobre como conduzir, gerenciar e, o principal, como negociar isso. É uma evolução natural, necessária a qualquer projeto que tenha KPI's bem definidos.

Créditos da foto: Andy Logan

Em alguns casos, as empresas não fazem ideia do que é Lean UX mas a carência é tão grande que acabam fazendo isso com atitudes inconscientes. A mais clássica é dispensar a agência e investir numa equipe interna. Por que? Porque é a chance de ter um time 100% dedicado no desenvolvimento de um produto, uma equipe errando, refazendo, estudando, aprendendo e, finalmente, acertando — opa, isso é Lean UX, não? Uma agência/estúdio quase nunca consegue resultados flexíveis e rápidos porque alterar algo que já está no ar é tido como um novo job, que resulta em uma nova negociação e mais burocracia. Outra cena clássica: empresas começando a questionar se a agência de marketing é realmente necessária.

Lean UX é usar o dia a dia como aprendizado. Talvez nossa primeira lição seja parar de encarar o processo de desenvolvimento como uma linha de produção. Quantas vezes você viu a equipe de UX discutindo com a equipe de tecnologia? Quando isso aconteceu, foi saudável?

Foto: Rodrigo Capuski.

De quebra, aquele texto do início traz alguns pontos como o fim da era PSD (vejam os comentários desse post, é massa porque traz a visão do dia-a-dia dos designers e não apenas o conceito) e o quanto o processo de UX precisa estar mais próximo do processo de desenvolvimento. A idéia é que não seja mais uma linha do produção “alô fulano do front-end, segue PSD em anexo, boa sorte”, mas sim desenvolvedor e design atuando juntos. Esse post exemplifica bem essa necessidade.

A galera que é pura de UX tem sentido uma falta absurda de estar mais próxima do código. Não à toa, os melhores especialistas UX são aqueles que manjam de código. O mercado tem sentido essa necessidade mas ainda não conseguiu se adequar e encaixar isso num fluxo. Se prestar atenção, isso é Lean UX, é fazer em tempo real pra ir ajustando e deixando melhor. Como fazer isso? Aproximando desenvolvimento de user experience talvez? Como viabilizar isso? A maioria tem desenhos e coisas em andamento, mas poucos possuem algo que já tenha sido validado empiricamente.

Foto: Rodrigo Capuski.

Enfim, por mais que o texto seja sobre wireframe e prototipação, reparem que na verdade ele aborda como fazer entregas melhores (algo que todos buscamos). Se vocês repararem, é justamente sobre unificar mais as entregas e aproximar as equipes que estão em disciplinas distintas. Isso não é só baseado no post do início, mas muito no conceito de Lean UX.

Enquanto continuarmos cobrando e fazendo entregáveis, jamais conseguiremos nos dedicar a um fluxo completo de experiência do usuário.

Isso vale pra mim, isso vale pra você, isso vale pro mercado.