alegria e felicidade

Naiara Neves
Sep 4, 2018 · 4 min read

esses dias li um livro da Martha Medeiros e uma frase me chamou atenção: “tão preocupada em ser feliz, esqueceu de ser alegre”.

quase sempre tenho os significados de felicidade e alegria muito bem definidos na minha cabeça… digo quase sempre pois sou um ser humano e tem vezes que fico muito triste, e quando isso acontece, obviamente, não quero nem pensar em felicidade ou alegria, afinal, como já escrevi milhões de vezes, “a tristeza é um sentimento que merece ser vivido, e não combatido”. afinal, nada dura para sempre.

e é ai que quero chegar: nada dura para sempre.

portanto, como nada dura para sempre, é importante dizer que felicidade é um processo, e não um prêmio, como o mundo tenta ensinar. não existe um caminho que te conceda a felicidade, como se fosse um pote de ouro no fim do arco íris. ela vem em pequenos pacotes, quase conta-gotas, e é o resultado de todas as suas escolhas, as boas e as ruins. é resultado de tudo o que fizeram com você, e de tudo que você escolhe fazer com o que fizeram.

eu vivi um relacionamento abusivo que durou, ao todo, 6 anos, e o que escolhi? jogar fora o rancor, guardar as partes boas, entender a minha consciência, escrever sobre isso, desejar o bem a ele e seguir em frente, sozinha, até curar todos os ‘desgraçamentos’ da cabeça. e hoje, colho bons frutos graças a isso.

eu escolhi buscar a paz ao invés de viver uma guerra interna comigo e outra guerra externa com ele. escolhi entender todos os nossos processos pra me perdoar. e perdoá-lo.

posso dizer que estou muito mais feliz do que se estivesse odiando uma pessoa que conviveu comigo durante 6 anos, que fez parte da minha vida, da minha rotina e que morou no meu coração.

não importa o quanto algo te faça ruim, se no meio disso, você foi feliz. tem vezes que a proporção não bate, mas passar a vida se lamentando é pior do que guardar o que foi bom. e é ai que, pra mim, mora a felicidade.

minha professora de educação física, na 8ª série, disse que guardar coisas ruins ou evitar falar algo que deve ser falado causa câncer de garganta. isso nunca mais saiu da minha cabeça, e desde então eu não guardo nada.

os bons momentos que você constrói, os laços que cria, os amigos que faz. os amigos que vão embora. os relacionamentos construídos, e até os relacionamentos acabados. tudo faz parte de um geral chamado vida.

quase tudo tem fim… se apegar em algo com a certeza de felicidade eterna é nada mais nada menos que uma grande furada.

e é ai que a felicidade saí e a alegria entra. como disse, pra mim, a felicidade é um processo, resultado de tudo que acontece. esses dias meu pai disse “fica tranquila, filha, a felicidade só chega em torno dos 40”. desmenti. disse que já sou feliz. e eu sou. cara, como sou. e eu só sei disso pois escolhi viver dessa forma.

mas antes de ser feliz, eu sou alegre. pago micos, esqueço da vergonha, conto minhas histórias mais tortas, sou a primeira a rir de mim. enfrento medos, não me preocupo tanto com as quedas, e sim em como levantar.

entendi, não tão cedo, mas cedo o suficiente, que o que emano, recebo, que o que sou, reflete. que o sorriso que dou, o universo me dá em dobro. é um exercício diário, esse lance de esquecer um pouco da busca pela felicidade e focar em viver o dia, sentir o coração quentinho, amar quem está ao meu redor, sorrir mais. tenho até um gráfico no bullet journal onde uso uma cor para cada sentimento do dia. o rosa, ou seja, o “dia feliz”, é o que mais se destaca.

ter dias felizes, dias completos, momentos alegres, me ajuda a chegar no meu ideal de felicidade. me ajuda muito mais do que desenvolver mil planos, passar por cima das pessoas, deixar o meu dia cinza de tanta preocupação e tristeza e falta de tempo.

quando você quase morre, mas não morre, para pra pensar que, se morresse, seria uma morte em paz e feliz. não por ter comprado uma casa, ou por ter engravidado, ou por ter atingido o nível de felicidade que pode significar um grande amor, um carro na garagem e mil viagens no passaporte, mas por ter tido mais dias felizes do que tristes. mais pessoas amadas do que odiadas. mais amigos do que inimigos. mais livros clichês do que um Bukowski nem sempre tão entendível.

esse texto soa tão clichê, como quase tudo que escrevo, mas eu juro que é do fundo do meu coração, apenas para dizer que: a vida é uma coleção.

e esse texto tem um motivo. a naiara de 20 anos, que almejava uma carreira (que, em termos, teve e tem, mas não do jeito que desejava), nem chegaria perto da alegria dessa naiara de 24, que tem seu primeiro show marcado como baterista. no meio de tanta coisa que já me salvou, a música é a maior delas.

    Naiara Neves

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    sou uma bagunça só. escrever é a minha forma de organizar... vivo há 24 anos tentando.