O Direito me escolheu
VIDA DE ADVOGADA

Advogada há 25 anos, Geisa Carmo da Silva encontrou no Direito uma forma de ajudar os seus. Mulher, negra e da periferia, desde pequena ouvia de sua mãe, que era doméstica, que o estudo era a sua única saída. Sua mãe não queria que ela e seus outros dois irmãos tivessem a mesma vida que a dela.
Geisa tem 51 anos e este é o tempo em que ela mora na Rua Juvenal Cruz, na Vila Brasília, comunidade da zona leste de Porto Alegre. “Não existe felicidade maior que pertencer a esse lugar”, relata ela. Respeitada pelos moradores da Brasília ou “Distrito Federal”, como o chama, a advogada não se imagina vivendo em outro lugar mesmo depois de ter conseguido ascensão. “Eu não saio da Brasília e ela não sai de mim”.
Brizolista e militante política desde os 13 anos, sempre foi ativa em movimentos sociais, principalmente naqueles que visam garantir o direito a residência de todos. Participou entre final nos anos 80 e inicio dos anos 90 de todas as invasões por busca de moradia. Com a maturidade que os anos lhe trouxeram, hoje pensa que esse talvez não seja o melhor caminho, mas que sim o poder público deve possibilitar a todos um lar para viver.
Mesmo sendo advogada, entende a justiça como não sendo justa para todos. “Para quem tem dinheiro é uma, para quem não tem é outra”, afirma Geisa. Questionada de o porquê ter escolhido o direito, prontamente responde “o Direito me escolheu”.
“No lugar onde vivo, sempre senti necessidade de dialogar, de defender e de debater. Vi no Direito a possibilidade de fazer isso. Eu preciso advogar “.
Geisa têm duas outras paixões: carnaval e o futebol ou melhor, Bambas da Orgia e Internacional. Colorada, porque o time segundo ela combina com o seu perfil popular. Bambista nem ela sabe porque, pois sua família toda torce pela Imperadores do Samba. “O carnaval faz parte de mim”, diz ela, que defende com unhas e dentes a manifestação popular. Advoga o tempo todo porque o Direito é sua quarta paixão.
