Réquiem das cinzas acesas

Todas as manhãs eu morro. Na manhã seguinte eu morro de novo em cima da morte anterior. Já acordo com o pensamento em chamas, na janela do quarto, acendendo e apagando com o passar da brisa. Ao longo do dia, o andar arrastado com os quilos do arrependimento carregam as horas até a noite. O vento ainda sopra para suprir as últimas brasas. Abato-me sob o requiem das minhas cinzas acesas. Aquela eu que se foi, que partiu depois que se partiu em infinitas partículas. Com o pó deixo só um pouco de essência, apenas para que algo restante ainda me caracterize.