O machismo banal do dia a dia

Naluh
Naluh
Jul 28, 2017 · 13 min read

Esse texto foi publicado originalmente em inglês no blog debuk.

Mês passado eu escrevi sobre David Bonderman, o empresário bilionário que renunciou ao cargo de diretor do Uber depois de sugerir que colocar mais mulheres na mesa de diretores significaria “mais falação”. Supostamente ele considerou esse comentário uma piada; mas mesmo que ninguém presente tivesse se ofendido, é preciso se questionar quem teria achado um clichê velho e batido desse divertido. Grande parte do machismo é assim: impensado, repetitivo, batido e previsível. Por que — como diriam humoristas sem graça — cargas d’água é assim?

Em 1995, Michael Billig escreveu um livro sobre um fenômeno que ele chamou de “nacionalismo banal”. O temo “nacionalismo” é comumente usado para denotar o que Billig chama de nacionalismo “exarcebado” — uma ideologia política induzida por emoções fortes, geralmente associado a conflito e violência. Mas o que ele formulou é que havia uma forma menos óbvia, mais amena de nacionalismo que nós não costumamos chamar assim. Diferente da versão “exarcebada”, sua função principal não é fomentar animosidade ou ódio em relação ao Outro, mas sim nos lembrar constantemente que somos sujeitos nacionais — sempre martelando discretamente na nossa cabeça o conceito de “nação”. Nas palavras de Billig:

Identidade nacional é lembrada em nações estabelecidas porque está enraizada nas rotinas da vida que lembram ou “levantam a bandeira” da ideia de nacionalidade. Entretanto, esses lembretes ou “bandeiras” são tão numerosos e tão arraigados no ambiente social que operam no subconsciente ao invés do consciente.

A palavra “bandeira” aqui é um trocadilho: um lembrete diário óbvio da nacionalidade é a bandeira nacional, tremulando (ou como Billig coloca, “pendurada de qualquer jeito”) em centenas de prédios públicos. Mas o nacionalismo banal assume formas mais sutis também, e muitas delas relacionadas à linguagem. Por exemplo, o uso da primeira pessoa “nós” para nos referirmos às “pessoas dessa nação”, enquanto pessoas de outras nações são a terceira pessoa, “eles e elas”. Programas de TV que cumprimentam os telespectadores com “bom dia, Brasil!”. Frases feitas que fazem referência à participação coletiva das pessoas em uma nação, seja explicitamente (“o jeitinho brasileiro”) ou implicitamente (“somos um país livre”).

A mesma ideia pode ser aplicada ao machismo. O machismo também tem suas formas “exarcebadas”, e essas o discurso dominante acha fácil de reconhecer e condenar. A mídia ocidental não tem dificuldades em reconhecer o machismo do Talibã e do Boko Haram; as seções mais liberais da mídia ocidental não tem dificuldade em reconhecer o machismo dos gamers que ditam regras e do Donald Trump. Mas o que chamaríamos de “machismo banal” — comum, discreto, enraizado na rotina e na linguagem do cotidiano — é uma história diferente. Em geral ele é sim ignorado, e quando feministas chamam atenção para ele, são acusadas de se ofender sem motivo ou fazer parte de uma cultura de vitimização (a famosa cultura do mimimi). Essas justificativas imediatas geralmente vêm acompanhadas com um ar de surpresa — como se a pessoa responsável nunca tivesse pensado que alguém poderia discordar dela.

A ideia de que mulheres falam pelos cotovelos é um exemplo clássico de machismo banal — é algo que as pessoas falam no piloto automático, como se estivessem falando do tempo. A maioria dos comentários sobre o tempo são categorizados como conversa fiada, ou o que o antropologista Bronislaw Malinowski chama de “comunhão fática”: sua função não é trocar informações, mas sim estabelecer um terreno comum e garantir aos outros as nossas boas intenções. Por isso comentários como “dia bonito hoje” são quase sempre respondidos com “sim, verdade”. Seria estranho responder com algo como “bem, na verdade está dois graus abaixo da média para o mês de julho”. Isso talvez mostrasse seu incrível conhecimento em meteorologia, mas também revelaria sua incompetência social, já que você teria passado longe do objetivo de uma comunhão fática. É a mesma coisa com machismo banal: argumentar a afirmação (“na verdade, estudos mostram que homens falam mais que mulheres na maior parte das vezes”) será visto como um ato hostil e peculiar. É ainda mais difícil contestar uma piada, porque ninguém quer ser acusado de não ter senso de humor.

Quem nunca ouviu “mulher no volante, perigo constante” que atire a primeira pedra.

Quando eu era jovem, eu não entendia isso. Lembro da primeira vez que ouvi o clássico de Chas & Dave, “Rabbit”, uma divertida música londrina que critica mulheres que fazem os ouvidos dos maridos doerem. Era 1980, com 21 anos, eu tinha acabado de descobrir a Feminista Radical em mim. Eu pensei: “Você pode até vender essa música hoje, mas não vai demorar muito pra você virar passado”. Eu estava errada: quase 40 anos depois, o mito da Mulher Que Não Cala A Boca continua unânime na cultura popular. Por exemplo, considere esse anúncio para um cruzeiro que foi enviado por um leitor suiço do blog:

Em português, o anúncio diz: “Tranquilidade nas férias? Deixe sua esposa simplesmente sem palavras”. É machismo banal em dobro, combinando o velho clichê da “matraca” com a ideia de que você sempre pode calar a boca de uma mulher gastando seu salário suado em algo que ela quer. Os pressupostos do anúncio são ofensivos e falsos (mulheres não falam mais que os homens e de acordo com uma pesquisa de 2013, elas planejam 80% das viagens em família), mas quem teve a ideia parece que não se importou em ofender possíveis clientes.

Também não acredito que o criador tenha buscado ser controverso de propósito, apesar de isso ser a estratégia de alguns anunciantes nos últimos tempos. Machismo banal não provoca revolta. Ocupa uma parte do todo que vai desde “visto mas ignorado” (como a convenção do “masculino neutro” que discuti em uma postagem anterior) até o “irritante mas não vale a pena se estressar por isso”. A gente talvez balance a cabeça, revire os olhos, poste uma foto com um comentário ácido no Facebook, mas a maioria das pessoas não se dariam ao trabalho de fazer uma denúncia formal.

Mas as vezes o zeitgeist muda e uma forma de machismo que antes era tolerada passa de “banal” para “exarcebada”. Ano passado, por exemplo, uma amiga minha viu esse cartão como parte de uma seção masculina em uma livraria universitária.

“Mulheres. Não se pode viver com elas, não se pode atirar nelas e enterrar no jardim”, Sabedoria de Homem #392

Cartões em geral são como um poço sem fundo de machismo banal, e cartões “engraçados” como esse existem desde sempre: apesar de feministas considerarem suas mensagens motivo de crítica há muito tempo, a maioria das pessoas vem tratando isso da mesma maneira que o anúncio de “deixe sua esposa simplesmente sem palavras”, como uma piada inofensiva (ainda que de mau gosto) em sua essência, baseada no conceito banal da eterna “batalha dos sexos”.

Porém, mais e mais pessoas têm começado a prestar atenção (graças, em parte, ao trabalho de feministas como Karen Ingala Smith e seu projeto “Contando Mulheres Mortas”) que no Reino Unido um homem realmente mata uma mulher, geralmente a parceira ou uma ex, a cada 2~3 dias. Se você já pensou nessa estatística alguma vez, é menos provável que você vá deixar passar uma piada sobre “atirar em mulher e enterrar no jardim” sem oposição. Eu não fiquei surpresa em saber que minha amiga (feminista) tinha reclamado, mas fiquei felizmente surpresa de descobrir que o gerente da livraria havia concordado com ela e retirado o cartão de circulação.

Mas a questão aqui não é só a aceitação (ou não) de brincar sobre violência por parte de homens. Machismo banal também é exemplificado pelas fórmulas usadas em notícias sérias sobre o assassinato de mulheres por parte de homens. Na França (onde as estatísticas são parecidas com o Reino Unido), a jornalista Sophie Gourion criou um Tumblr chamado Les Mots Tuent (“Palavras Matam”) para documentar e criticar a banalização linguística da violência contra mulheres e garotas. Ela se sente exasperada pela repetição constante de frases como “ crime passionel” (crime passional), “drame familial” (drama familiar, tipicamente em referência a casos de ‘execução familiar’ em que um homem mata a parceira e os filhos antes de cometer suicídio) e “pétage de plomb” (um surto inesperado). Ela nota que esses termos sugerem que o autor do crime foi acometido de um súbito impulso incontrolável — quando na verdade muitos desses assassinatos foram premeditados, não sendo raro os casos de homens com histórico de violência doméstica.

Fórmulas semelhantes são bem estabelecidas na mídia de língua inglesa. Em 1992, Kate Clark publicou uma análise das notícias do jornal The Sun a respeito de violência contra mulheres e meninas e encontrou um padrão na linguagem utilizada para descrever os autores dos crimes e as vítimas. Nos casos em que mulheres “inocentes” (aos olhos do The Sun, meninas jovens ou esposas e mães recatadas) eram mortas ou atacadas por estranhos, os autores dos crimes eram chamados de nomes que os desumanizavam como “monstro”, “bicho”, “maníaco”, “marginal”. Em contraste, casos de violência doméstica, incluindo homicídio, pendiam para uma caracterização dos homens que os humanizava e enfatizava o status deles como vítimas. Um homem que havia matado a esposa antes de cometer suicídio foi chamado de “pai atormentado”, “coberto de dívidas” (a palavra “atormentado” se repetia em notícias sobre as chamadas “tragédias familiares”); outro que havia matado a esposa e a sogra a tiros foi descrito como um “marido desprezado”. Até o carinhoso “hubby” (inglês para algo como “maridão”) apareceu na notícia sobre um homem cujo histórico de 12 anos de violência doméstica foi revelado no tribunal depois de ele quase matar a esposa.

O famoso “goleiro Bruno” que estranhamente nunca ficou conhecido como “o esquartejador Bruno”.

Os dados de Kate Clark foram retirados de notícias do fim dos anos 80, mas muito da análise dela continua pertinente nos dias de hoje. No ano passado, na Irlanda, quando um homem chamado Alan Hawe esfaqueou a esposa Clodagh até a morte, estrangulou os três filhos e se enforcou, o caso foi noticiado tanto na mídia irlandesa quanto na britânica como uma “tragédia familiar”. O jornal The Mirror usou uma foto que mostrava a família (de acordo com a legenda) “sorrindo juntos antes que todos os cinco perdessem a vida”. “Perder a vida” sugere um acidente, e não o assassinato proposital como havia acontecido, mas no contexto da “tragédia familiar”, como o estudo de Clark revelou, o assassino é comumente retratado como outra vítima, e muitas vezes como a principal vítima. No caso de Hawe, o que também é comum, a atenção da mídia se voltou principalmente para o “tormento” mental que deve ter levado Alan Hawe (descrito em diversas fontes como um “cavalheiro de verdade” e um pilar da comunidade) até esse ponto. Alguns comentaristas chegaram a descrever ele como uma vítima de sexismo — o sexismo de uma cultura que não permite que homens mostrem fraqueza ou expressem emoções.

Essa narrativa só começou a ser questionada depois que uma postagem intitulada “Descanse em paz, mulher invisível, da escritora feminista irlandesa Linnea Dunne, chamou a atenção da mídia de massa. Dunne observou a maneira como a mídia focava no assassino e no seu estado mental imaginário (não havia nenhuma evidência de que Alan Hawe tinha qualquer problema de saúde mental), enquanto aqueles que ele havia assassinado eram tratados como coadjuvantes, ou completamente apagados da história. Até a descoberta dos corpos da família foi adornada em termos que assumiam a perspectiva do assassino: eles tinham sido encontrados pela “sogra dele” (ou seja, a mãe de Clodagh Howe e avó das três crianças).

Diferentemente do enorme interesse dado ao estado mental dele, os repórteres não perguntaram se Alan Hawe tinha histórico de violência doméstica. Depois foi descoberto que sim: nas palavras de um amigo da família, “ele controlava tudo ao redor dele, controlava como a família vivia e controlou como a família morreu”. Também seria descoberto depois que a família de Clodagh Hawe, inicialmente retratada como uma família em luto mas disposta a perdoar, havia lutado por oito meses para retirar o corpo do assassino do túmulo onde ele havia sido originalmente enterrado, ao lado das vítimas.

Conforme o tempo ia passando, se tornava cada vez mais claro que o viés dado a essa história por boa parte da mídia havia escondido fatos materiais consistentemente. E isso não é nem de perto um exemplo isolado. Esse mês, a mídia britânica vem noticiando o caso de Francis Matthew, um bretão que vive em Dubai, que matou a esposa Jane com o que as autoridades dos Emirados descreveram como “um golpe forte de um objeto sólido na cabeça”. De início, Matthew havia declarado que o ataque havia sido obra de ladrões que haviam invadido a casa deles. Posteriormente, quando ficou claro que a história não iria convencer ninguém, ele admitiu que havia jogado um martelo na esposa durante uma “discussão”, mas continuou insistindo que a morte dela havia sido um acidente. Esse exemplo difere do caso Hawe por ter tido apenas uma vítima: crianças não foram envolvidas e o autor do crime continua vivo. Mas os relatos sobre o caso (como esse no The Telegraph) usaram muitas das mesmas convenções linguísticas genéricas. Por exemplo:

  1. A repetição das palavras “tragédia” e “trágico”. Se o crime tivesse sido cometido por invasores, as notícias teriam usado palavras que sugerissem raiva e condenação, mas quando o assassinato é “assunto de família”, as emoções que somos induzidos a ter são tristeza e pena por ambas/todas as partes.
  2. O foco no assassino (homem) e o apagamento quase total das vítimas. Morto ou vivo, ele é o protagonista da “tragédia”, enquanto as vítimas só existem em relação a ele. Na notícia do Telegraph, por exemplo, somos informados a fundo sobre a história de vida de Francis Matthew, além de lermos que “o casal… era figura chave na cena social de Dubai”, mas nada é dito sobre a história de Jane Matthew, suas atividades, interesses ou personalidade. Assim como Clodagh Hawe, ela se torna invisível.
  3. A apresentação do assassinato como uma explosão abruta e inexplicável de violência em um relacionamento antes feliz. Nesse caso (assim como no caso Hawe, pelo menos logo após o crime), a mensagem de que o ato de Matthew “não era da personalidade dele” é transmitida através das reações de terceiros: “Amigos e conhecidos do Sr. Matthew afirmaram estarem chocados com a notícia de que o gentil editor havia sido preso. ‘Ele é o maior ursinho de pelúcia que eu conheço’, disse um amigo da família. Outro conhecido o descreve como ‘relaxado, calmo e na dele’.” Apesar do Telegraph mencionar que ele havia sido acusado de homicídio doloso (quando há intenção de matar), o jornal não toca na contradição entre essa acusação e a afirmação do próprio Matthew de que ele havia matado a esposa sem querer no calor do momento.
  4. A inclusão de diversos detalhes que mostram o assassino como um homem de bom caráter e ótima reputação. A matéria do Telegraph tem como foto de capa uma foto de Francis Matthew apertando a mão do Emir dos Emirados Árabes; ela então passa a enaltecer seus feitos acadêmicos e profissionais e faz diversas referências à posição dele na comunidade de expatriados. Isso, nós inferimos, é o que torna o caso tão “trágico”. Não o fato de que uma mulher morreu em decorrência de um ataque brutal (e sabe-se lá quanto abuso nos meses e anos antes disso), mas sim que a vida de um homem bem-sucedido foi arruinada por uma perda de controle momentânea.

Ao colocar esse tipo de notícia na categoria de machismo banal, não estou querendo dizer que é algo banal, mas sim que essa forma de machismo opera, assim como Billig diz que opera o nacionalismo banal, mais no subconsciente do que no consciente. Não acho que exista uma conspiração midiática para defender homicidas homens: a questão é mais a busca incessante por fórmulas conhecidas (o viés da “tragédia familiar” e os clichês associados a ele — “algo fora da personalidade”, “pilar da comunidade”, “perderam a vida”) sem jamais questionar as suposições que se escondem atrás delas. É o equivalente jornalístico do discurso político que Orwell, em 1946, comparou a um “galinheiro pré-moldado” — montagem rápida e sem reflexão de uma pilha de componentes padrões de produção em massa.

Me permitam esclarecer, entretanto, que essa análise não é uma desculpa em nome dos jornalistas que produzem essas histórias. Pelo contrário, acredito que a reciclagem impensada de trivialidades conhecidas sobre violência doméstica é um descaso com o dever deles como profissionais. Profissionais que se consideram defensores destemidos da busca pela verdade não deveriam estar aceitando de primeira a história convencional da “tragédia familiar”, especialmente quando — graças a décadas de ativismo e pesquisa feminista — os fatos que contradizem isso são de fácil acesso. Há bastante evidência, por exemplo, mostrando que assassinatos de parceiros íntimos como no caso de Jane Matthew são raramente “incidentes isolados” e que muitos homens que são violentos entre quatro paredes parecem “calmos e tranquilos” em público.

Jornalistas, além disso, trabalham diretamente com linguagem, e por isso espera-se deles escolhas linguísticas pensadas. Alguém falaria em “maridos desprezados” e “pais atormentados” em qualquer outro contexto? Estamos em 2017, pelo amor de deus: por que as notícias continuam cheias desses clichês arcaicos e insensíveis? Se você se considera escritor, deveria tentar usar o cérebro e pensar de fato nas palavras que usa.

Palavras podem não matar no sentido literal da coisa, mas não significa que elas não tenham consequências. O machismo banal que vemos em notícias sobre casos de homicídios domésticos produzem um eco — e portanto contribuem para perpetuar — algumas das atitudes que são evidentes principalmente em homens como Alan Hawe: como a ideia de que mulheres são extensões deles ao invés de pessoas importantes por si só, e a crença de que violência é uma resposta aceitável às pressões da sociedade sobre os homens. (“Mulheres. Não dá pra viver com elas, não dá pra deixar elas viverem se elas não quiserem viver com você.”) Fico contente de ver que essa fórmula tradicional está sendo cada vez mais alvo de críticas, e não só das costumeiras feministas já esperadas. É algo preguiçoso, machista, e que nenhum veículo de mídia que se respeite deveria dar espaço para acontecer.

— Debbie Cameron (@wordspinster), autora de The Myth of Mars and Venus. Tradução por Naluh Castro.

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Naluh

Tradutora do par de línguas inglês/português. Escritora só em sonho.

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