Porque de todos os locais do Brasil eu quis ir para São Paulo.

Tainara Calleja
Jul 24, 2017 · 3 min read

Por que você vai pra São Paulo? Tem tanto local legal e mais perto pra ir…

Eu ouvi essa pergunta o mês inteiro desde que anunciei aos entes e amigos mais próximos que havia comprado uma passagem para lá. Mas eu lhes digo o porquê.

É loucura comprar uma passagem de ônibus de uma hora para outra com destino a um local desconhecido pra ficar quase 24h em um ônibus (isso na ida, tem a volta depois) e sem ninguém? É. Mas minhas melhores memórias são frutos de momentos assim, sem planos, até porque eu planejo muito a vida para que no final ela tome seu rumo do jeito que quiser sem me questionar se estou satisfeita. Quis mudar um pouco, por que não?

Quando fui pra Belo Horizonte de uma hora para outra junto com o DCE da faculdade, passamos de ônibus por São Paulo. Eu subi as escadas do ônibus de dois andares e sentei no banco da frente, tive uma visão panorâmica da cidade e pela primeira vez em muito tempo, em meio a chuva fina e constante com as luzes da cidade me rodeando, eu me senti em paz. Perdi a noção de quanto tempo fiquei observando o tempo e a vida passarem através daquela janela, mas foi naquele dia eu percebi que São Paulo era o meu lugar.

São Paulo é uma cidade que não para, é agitada, não dorme, está sempre em constante movimento, exatamente igual a mim. A inquietude dessa lugar sempre me fascinou, tudo bem que tem um trânsito quilométrico e pode não ser o local mais adequado para quem busca paz de espírito e autoconhecimento, mas foi lá que me senti bem e nunca deixei de me identificar com ela ou de ansiar por aventuras solitárias em direção ao desconhecido.

São Paulo é uma cidade mais ou menos três vezes maior do que Porto Alegre, um fato que eu sinceramente não tinha parado para reparar até pesquisar no Google o tamanho da jornada que decidi fazer; e eu concordo que eu dei um passo grande, – talvez até maior do que a minha própria perna, como diz minha mãe – algo que me assusta um pouco também, mas eu não vou deixar o medo e a ansiedade tomarem conta de mim, não vejo volta, é ir ou ir e mesmo que eu pudesse, só estaria adiando minha vontade constante de ir para lá. Um dia a gente tem que deixar os medos de lado e enfrentá-los, só assim eles deixarão de ser uma ameaça para a gente. Por que não hoje?

Meu espírito tem gritado por liberdade, coisa que já não tenho mais encontrado em Porto Alegre, talvez seja culpa minha ter me apegado demais a rotina e principalmente as pessoas. E eu quero ir livre para lá, preciso reaprender a estar bem comigo mesma novamente. Eu quero sentir constantemente a paz que senti quando estive passando por lá.

Depois de um tempo eu percebi que sou uma inconstante em busca do pedaço que falta de mim, o meu agito combina com São Paulo, há tempos venho percebendo que me perdi em alguma estação no metrô da vida, mas quero me reencontrar e sinto, desde Belo Horizonte, que é lá que eu vou conseguir isso. Será um reencontro comigo pois eu sei que não serei a mesma pessoa quando retornar a Porto Alegre. Busco maturidade, paz (principalmente de espírito), independência, força (muita força!), mas acima de tudo, busco a mim mesma.

São Paulo, com sua constante inquietude e com o embalo do trânsito caótico irá me acolher pelos próximos dias, adormecerei sobre seus braços e desbravarei cada curva de suas estradas. Não tem mais o que procastinar, o amanhã finalmente chegou e a vida adulta bateu na minha porta. São Paulo também está batendo. E eu não tenho mais medo.

Espero ter uma boa viagem.

    Tainara Calleja

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    Eu te amo baixinho, em segredo, de longe.