Oferenda

Esqueço de achar meu corpo (feio e ruim)
Que a luz more bem ali, quatro dedos acima do meu cóccix
O lugar de onde Ela dorme
Tão disposto a se transformar por meio de sofrimento que o sofrimento mesmo se envergonha
Leito amplo de rio em que se pode beber de mim
O alívio
Os meus ouvidos são o caminho do vazio
Atrás do meu olho esquerdo é a entrada do Hades (posso olhar pra tudo e ver)
E eu tenho o gosto que têm o sol e a lua fatiados e misturados em um só prato de lago liso
Guarnecidos de dança, dor, demasia.
Como se é um banquete sem desaparecer-banquete e ser aquele que te engoliu
no fim de tudo?