Ele apenas sorria, levantando sua saia, enquanto ela rebolava sentindo cada vez mais o pau dele crescer atrás dela.
(El Camino)
Conto 2
Ilustração: Pedro Henrique Silva

Ele era o mais famoso- e desejado- dançarino cubano do mundo. Mas dentro daquele quarto, era pele, cheiro, era libertino. O desejo era urgente, mas as provocações se estendiam por horas. Ela, implorando; ele negando. A vontade aumentava a cada encontro de quadril, o ir, o vir, a boca na orelha, a mordida no pescoço. Para mim, um mero espectador ocasional, atônito, eterno voyeur, era um baile exibicionista, esteticamente belo, que rondava sem temores aquele universo sexual, latente, dançante, secreto, lúdico.
De sangue latino e quente, ele tinha olhos grandes que penetravam com a mesma fúria de seus movimentos, e suas mãos, de dedos longos, pareciam projetados com precisão para preencher os espaços vazios do corpo de uma mulher. Braços, peito, pernas deliciosamente feitas para ferver os pensamentos mais puros daquelas que evitavam encará-lo à luz do dia e para borbulhar o desejo contínuo daquelas que, em uma única noite, tiveram a sorte de tê-lo sobre elas, dentro delas.
Seu andar era como uma dança, forte, suave, imponente. No palco, suas parceiras tremiam em seus braços, extasiadas pelo calor, pelos gestos e pela música. Tinha lábios carnudos, cor da aurora – como dizia minha dona, um doce vício como dois morangos recheados com açúcar. Sorria com o canto da boca, um sorriso que acabava com toda a ternura das pobres moças que achavam que, um dia, ele poderia ser de uma só. Ele era de inúmeras, de uma plateia inteira, e ela sabia disso. Mas aquela noite, ele era dela. Somente dela.
Tudo acontecia lentamente e com uma intensidade inebriante. Inquieta, ela mexia, nervosa, na borda do copo, sujando as pontas dos dedos com o que sobrou do vinho. Ele não vinha nunca, e aquilo a deixava mais ansiosa que o normal, já que, por meses, ela aguardava apreensiva, molhada.
Ela ainda estava de costas quando ele chegou. Sem tocá-la, encostou seu corpo no dela e sentiu o perfume do seu cabelo. Cheiro de incenso, de mato, de folha. Encostou com leveza sua boca em seu pescoço, sentindo a pele dela arrepiando em seus lábios. O corpo dela amoleceu.
Ele passou as pontas dos dedos nas mãos dela, subiu pelos braços, ombro, virou delicadamente seu rosto e sentiu seus lábios. Ela quis virar, mas ele não deixou, segurando-a com firmeza. Pela cintura, trouxe o corpo dela para perto do seu. O calor do corpo dele passou prontamente para o dela, ardendo em sua pele. Ela oferecia sua boca, pedindo quase que piedosamente por um beijo. Ele apenas sorria, levantando sua saia, enquanto ela rebolava sentindo cada vez mais o pau dele crescer atrás dela.
Ele pôs os dedos por dentro da sua pequena calcinha, completamente molhada. Dedos intrometidos, atrevidos e deliciosamente certeiros. Passava-os levemente na superfície, indo e vindo, espalhando o molhado por toda a sua extensão. Gemendo daquela tortura, ela apertava a mão dele com suas coxas, como um pedido para que parasse de fazê-la sofrer.
Ele abaixou as alças do vestido, beijando e mordendo seus ombros. Acariciava seus seios ora com delicadeza ora com firmeza, falando palavras confusas em seu ouvido. Ela permanecia de olhos fechados, como se, assim, os registros daquele momento pudessem ser guardados no canto mais profundo da sua memória.
Descendo todo o vestido, deixou-a apenas de calcinha e com um enorme salto alto. Beijou suas costas, sua cintura e, já ajoelhado, mordiscou suas nádegas. Sem pressa nenhuma, desceu a calcinha e ficou por alguns minutos observando o bumbum da minha dona. Ela tinha covinhas no fim das costas que o fascinava e o deixava sempre com desejo de lambê- las a ponto de perfurar com a língua. Tocou novamente sua boceta, agora com mais firmeza, sentindo o clitóris enrijecido e todo aquele molhado.
Aquilo incitava movimentos inevitáveis, e ela rebolava cada vez mais.
Com os dedos dentro dela e a boca em sua bunda, ela estava à beira da histeria. De forma cruel, ele parou. Retirou a calcinha e tirou sua roupa. Ela sentiu o pau dele em suas costas, e seu corpo arrepiar por inteiro. Ele a virou, mexeu em seus cabelos pretos, lisos, macios. Suas peles se atraíam, os olhos dela brilhavam, e a sua expressão de dor, de angústia, o excitava ainda mais. Pelas mãos, a conduziu para dentro do quarto.
Ele andou pelos cômodos, mexeu nos quadros, nas roupas dela. Quando se virou, ela estava ajoelhada, linda. Ele se aproximou e seus dedos pareciam menores e mais frágeis ao segurar aquele pau entre as mãos. Lambeu toda a extensão e começou a chupá-lo gentilmente. Enquanto o olhava, descia com as pontas das unhas em seu abdômen, quase selvagem, até massagear o seu pau com delicadeza, da base à ponta, acompanhando o movimento da sua boca, em uma lenta provocação.
Ele então a pegou pelos braços e a deitou na cama. Beijou seu pescoço e, com os lábios, sentiu seu gosto, doce, delicado, que ficava por horas por toda a sua pele. Passava a língua em volta das auréolas róseas, a mão entre suas coxas. Ela abriu suas pernas para que ele entendesse de uma vez que ela precisava daquela virilidade dentro dela, nem que fosse com os dedos.
Ele se aproximou ainda mais e mirou seu pau para o brilho tentador da sua boceta. No entanto, ele estava decidido a fazê-la sentir seu membro apenas do lado de fora, pincelando, cutucando lentamente a ponta do seu clitóris. Ela segurava os lençóis com tesão e raiva ao mesmo tempo: só desejava, naquele momento, que ele a possuísse ardentemente até a aniquilação.
Ele a virou bruscamente, colocando duas almofadas abaixo da sua barriga. Saltei para a poltrona, ronronando, e pude ver o cenário como um todo: ele passava seu pau por entre a fenda da bunda da minha dona, que empinava cada vez mais, jogando o quadril para trás, tentando engolir aquele pau enorme. Vagarosamente, fez seu pau desaparecer entre suas nádegas. Ele jogou seu corpo por cima dela e iniciou um ir e vir de quadris absurdamente enlouquecedor. Para ambos, os dias de espera valiam a pena por momentos como aquele.
No meio de gemidos roucos e intensos, entre toda aquela fúria, perversamente, mais uma vez ele parou. Puxou-a pela mão e a encostou na parede. Ela enlaçou as pernas na cintura dele, em um encaixe perfeito. Ele encostou seus lábios nos dela e, apertando a bunda da minha dona, entrou com força uma, duas, três vezes. Tirava seu pau lentamente, no deleite da expectativa por mais uma investida: eram um só corpo e muitos sentidos.
Na parede, atraídos de forma inexplicável, eles gozaram irracionalmente. Seus seios arfavam, e ela queria dizer o quanto se sentia feliz, mas apenas sorriu. Um sorriso que ele conhecia muito bem e o encantava. Ele acariciou seus cabelos até fazê-la adormecer e, assim, sem dizer nada, partiu.
Na manhã seguinte, ela acordou com um perfume diferente. Ao seu lado, uma enorme rosa repousava sobre o travesseiro. Uma rosa só para ela, dentre as muitas que ele oferecia para todas as outras. Aninhei-me ao seu lado e pude ver claramente em seu rosto o que pensava. Ela sabia que não podia prendê-lo. A dor e o prazer moravam ali: com ele livre, ele poderia voltar. Em uma noite quente, ele voltaria, sim, para ela; para seus braços, para seu corpo, para dançar com sua alma flutuando no vento.