Ele sorriu e a encostou no canto da mesa. Passou a mão por entre seus cabelos e a puxou para um beijo. O sabor adocicado das frutas na sua boca se misturava com o gosto deliciosamente amargo dos lábios dele.
(Sabor)
Conto 8
Ilustração: Rafael Arnoldo

Ele tinha olhos cor de uísque. Bastaria, caso ele não tivesse também lábios carnudos igualmente embriagantes. Com cabelos fartos que caíam sobre as bochechas, tinha a voz grave que parecia ainda mais bonita quando ele narrava suas viagens gastronômicas repletas de lugares desconhecidos e pessoas interessantes, assim como ele. Ela sempre se perdia entre suas mãos gesticulosas, suas histórias, sua gargalhada alta e forte.
Ela o escutava passando a mão no gelo que derretia dentro do malte, enquanto ele cortava em pequenos pedaços a carne ainda sangrando. Vez ou outra, o cabelo dele escorregava em seus olhos, fazendo-o lançar a cabeça para trás, em vão. Ela o ajudava: empinava por trás da mesa, inclinando-se até ele e passando as mãos levemente em seu rosto. Ele sorria com o canto da boca, agradecendo, tentando equilibrar o cigarro pendurado nos lábios.
A noite tinha ficado mais quente quando ele acendeu o fogo. Ia preparar um molho que aprendeu em uma de suas andanças pelo mundo para acompanhar o prato escolhido da noite. De acordo com ele, algo que acalmasse a alma, mas que instigasse todos os sentidos. Abriu um pote com pequenas frutas cor de sangue e, antes que começasse o preparo, chamou minha dona para que as saboreasse junto a ele.
Ele passou algumas nos lábios dela, deixando-os ainda mais vermelhos, enquanto virava em um único gole uma dose de uísque. Ela sentiu os lábios com a língua, provando as frutas. Ele sorriu e a encostou no canto da mesa. Passou a mão por entre seus cabelos e a puxou para um beijo. O sabor adocicado das frutas na sua boca se misturava com o gosto deliciosamente amargo dos lábios dele. Enquanto ele levantava muito calmamente a sua saia, passando as pontas dos dedos em suas coxas, ela rebolava instintivamente, abrindo um pouco as pernas, ficando nas pontas dos pés para que pudesse sentir o pau já duro pressionando sua boceta.
Ele passou os lábios no ombro dela, e a alça do vestido florido caiu pelo seu braço. Então desceu a outra alça, e o vestido ficou pendurado apenas pelos bicos duros dos seios dela. Ele a inclinou para mais um beijo, e as alças caíram por completo. Com as duas mãos já em seus seios, ele passou a língua na boca dela, mas não a beijou. Por mais alguns minutos, aquela tortuosidade continuou, e ele desceu com os lábios até seus seios e começou a chupá-los alternadamente. Dava pequenas mordidas, puxava delicadamente o bico dos seios entre os dentes e afastou as pernas dela, passando as mãos entre suas coxas, rodeando sua boceta molhada.
Ele a acariciava por cima da pequena calcinha branca, enquanto minha dona sentia em suas mãos o pau dele crescendo dentro da calça. Ele, então, puxou a calcinha para o lado e começou a deslizar docemente os dedos em seu clitóris. Pulei para a mesa lateral para ver melhor aquele ambiente carnal: as unhas dela cravadas nas costas dele, os dedos dele dentro dela, respirações completamente descompassadas, olhares inteiramente fogosos.
Antes que ela implorasse pelo pau dele dentro dela, ele ajoelhou na sua frente e subiu seu vestido. Enquanto lambia a fenda da sua boceta, olhava para ela com uma das expressões que minha dona mais gostava: a de mais puro tesão. Com uma das mãos em seus seios, ele começou a chupá-la suavemente, mas com intensidade. Gostava de sentir o gosto dela em seus lábios. Ela segurava com força os cabelos dele, levemente desequilibrada sobre o canto da mesa de madeira grossa.
No momento em que ela gemeu alto, gozando na boca dele, ele parou de chupá-la. No entanto, eu sabia que ele não era de pausas. Ele abriu ainda mais as pernas dela, encostou o pau latejando em sua boceta e, com um movimento rápido, puxou seu quadril para ele. Imediatamente o grito dela foi sufocado por sua boca. Ele enfiava com força, com estocadas incessantes, enquanto ela ainda gozava e o prendia em um abraço. Com o rosto dela entre as mãos e entre gemidos, ele gozou dentro dela, caídos sobre a mesa, completamente extasiados.
A madrugada aconteceu lentamente. Entre um prato meticulosamente preparado por ele e doces e coloridas sobremesas que, vez ou outra, misturavam-se com os seios dela. Eles gozaram pelas horas que se seguiram. Nus, passaram a noite sentindo o gosto das frutas, do uísque, dos temperos, um do outro.