O homem serviu uma dose para ele. Sentou-se em frente à longa mesa de mármore e fez sinal para ela se aproximar. Ela atendeu ao chamado e sentou-se em seu colo.

(O Brasão)

Conto 3

Ilustração: Julian Vilela

Seria mentira se ela dissesse que não sabia com o que ele trabalhava. Era um homem visado, de elegância ímpar, mas com um ar de maldade que, em vez de afastar, aproximava as mulheres. Apesar de vigiado 24 horas por dia, tinha o dom de desaparecer e, quando isso acontecia, era no apartamento da minha dona que ele aparecia.

Não era de exigir muita coisa, a não ser uma garrafa de Whisky que durasse a noite inteira. O traje que ela o esperava, um corpete preto e branco, com uma calcinha minúscula, também era a pedido, mas não determinado.

Ele chegou pontualmente, deixando quatro seguranças do lado de fora da casa. Cumprimentou minha dona dando-lhe um beijo doce, quase fraternal. Entregou uma linda caixa branca com um enorme laço e pediu que só o abrisse quando ele fosse embora. Alisou seus cabelos, passou os dedos em seus lábios e disse a ela que estava mais bela do que da outra vez. Era assim que ele começava: suave, afetuoso, terno. No entanto, ela sabia que, não, ele não era assim. E gostava disso.

O homem serviu uma dose para ele. Sentou-se em frente à longa mesa de mármore e fez sinal para ela se aproximar. Ela atendeu ao chamado e sentou-se em seu colo. Beijaram-se durante longos minutos, sem trocar uma palavra. Ele, então, terminou a bebida e fez com que minha dona se levantasse, ficando de costas para ele. Puxou-a para mais perto e começou a dar pequenos beijinhos em sua bunda, enquanto acariciava sua boceta por cima da calcinha.

Dando mordidinhas e passando a língua na dobrinha do seu bumbum, fazia com que ela gemesse baixinho, sentindo nas pontas dos dedos o molhado quente. Ele a inclinou levemente e afastou-lhe a calcinha, deixando à mostra a boceta apetitosa e o cuzinho rosado que, poucos como eu, sabiam que era apenas para privilegiados.

Ele começou a acariciar lentamente o clitóris da minha dona, sentindo o calor excitante que exalava de sua boceta. Chupava e lambia o seu cuzinho e penetrava os dedos na boceta dela cada vez mais rápido, cada vez mais intenso. Mal conseguindo manter-se em pé, ela gozou deliciosamente na boca do amante.

Sem dar pausa, ele fez com que ela ajoelhasse aos seus pés e, segurando os cabelos com firmeza, passou o pau nos lábios melados da minha dona e, em seguida, fez com que ela engolisse seu pau por inteiro.

Ela então se levantou e, outra vez, ficou de costas para ele. Abriu as pernas e sentou sobre o seu pau, para logo, sorrindo e o olhado nos olhos, subir lentamente. Observando o rosto dela, doce, meiga e, ao mesmo tempo, cheia de tesão, marcou-lhe a bunda com um tapa estalado. Ela sorriu novamente. Um sorriso de vontade, prazer, de desejo lascivo.

Ele a pegou pela cintura e fez com que ela se debruçasse sobre a mesa. Com uma das mãos, segurou-a pelo ombro, imprensando seu corpo no mármore frio, enquanto com a outra mirava a cabeça do pau no cuzinho dela. Deu-lhe mais um tapa na bunda, mordeu suas costas e a penetrou com força. Ela gritou, enquanto ele a puxava pelo cabelo, levantando seu corpo para que a orelha dela ficasse bem junto à boca dele.

Ele mordiscava o pescoço da minha dona, chupava sua orelha e ia introduzindo cada vez mais forte. Ela rebolava para que aquele pau enorme entrasse com mais facilidade, fazendo-o sentir cada vez mais dentro dela. Ele a penetrava rapidamente enquanto ela gemia alto, sorrindo, suada: ele a devorava, e ela adorava.

Ele então ficou parado, deixando que somente ela mexesse o quadril. Como não sou um gato tolo, fui para cima da mesa para enxergar o que ele via: um bumbum durinho, liso, carnudo, que se movimentava sem pressa, engolindo suavemente seu pau por inteiro, para logo em seguida fazer com que ele saísse quase que completamente, deixando apenas a cabeça do lado de dentro. Era delicioso de ver.

Ele passou, então, a acompanhar seus movimentos, e, ao som excitante dos corpos se batendo, ela acelerou os movimentos, gemendo cada vez mais alto. Bem na entradinha do cuzinho dela, ele gozou intensamente. Ela, ainda ofegante, ajoelhou e, lambendo cada centímetro do seu pau, passou a língua em toda a extensão, até não ter mais o que engolir.

Ele a beijou na boca ainda melada do seu gozo, vestiu-se e foi embora. Deitada no sofá e com o corpo dolorido, lembrou-se do embrulho que ele havia deixado. Mesmo exausta, foi até à sala de música e pegou o seu presente. Ao abrir, o brilho refletiu em seu rosto a surpresa: era uma arma de prata, com o brasão que representava a família a qual o amante pertencia, cravejado com pequenas pedras preciosas.


Gostou? Esse conto faz parte do livro Língua de Gato- Memórias de um Felino Voyeur, à venda na Amazon, na versão português em inglês.