A experiência do Sagrado

Hoje escrevo sobre o caminho para a experiência do Sagrado. O Sagrado que também é chamado de muitos nomes: Deus, Senhor, Jesus, Javé, Alá. Nirvana, Universo, Pai, Mãe Terra. Eu Superior, Espírito Santo, há também quem diga que Deus é o vazio quântico. Pessoalmente, o nome que eu mais gosto é Amor.

Não me surpreende em nada que haja diferentes nomes e interpretações para uma mesma Verdade. Estranho seria se Deus tivesse mesmo só um nome, ou três. Somos cerca de 7 bilhões de pessoas, ou 7 bilhões de possibilidades de expressão e compreensão do Divino. Ainda, para além da nossa diversidade, há também nossa linguagem, em nossas letras, simplesmente não cabe a experiência de Deus!

No entanto, quem um dia experimentou o Sagrado, não consegue mais negá-Lo. Quem já sentiu o Amor fluir em si, sabe que Ele está em todos e em tudo. Quem já gozou na matéria a sensação de Vida Eterna, consegue resignificar o passado, o presente e suas dores. Quem já se sentiu abraçado pelo Sopro, sabe que nunca está só!

Não é que a experiência que descrevo acima, nos torne automaticamente santos e elimine em nós tudo que ainda não está em estado de graça. Pelo contrário, o sagrado e a divisão convivem simultaneamente. A experiência do Amor no entanto, dá sentido a vida e nos aponta um norte em direção ao qual podemos caminhar lentamente e nutridos de esperanças.

Vocês me perguntarão: _como então é possível experimentar, ainda que seja por breves instantes? Arrisco a dizer, juntamente de muitos, que o caminho é um só: conhecer-nos sem disfarces! É permitir um olhar profundo sobre nós mesmos que ultrapassa as barreiras de nossas defesas inconscientes de modo a deixar ir nossas sombras escondidas.

O caminho para nos conhecermos melhor perpassa por diferentes dimensões de nós mesmos, que se intercedem e comunicam entre si. Gostaria de citar pelo menos três: a) a dimensão física, onde é possível encontrar as pistas que o corpo dá e acessar medos e traumas armazenados; b) a dimensão pisco-emotiva, onde lidamos com nossas emoções e sentimentos e, por fim, c) a dimensão noética (ou espiritual), onde repousa nosso ser mais sábio. Este ser que precisa ser desperto e alimentado, pois é ele que nos permite trabalhar nossas outras dimensões sem perder o norte.

No entanto, este caminho não é fácil ou automático. Assim como todo o demais que buscamos apreender na vida, também para o aprendizado de si mesmo é preciso vontade, compromisso, tempo e técnica. É a vontade que nos faz dar o primeiro passo, nos faz questionar sobre o presente e partir para a busca de algo melhor e mais pleno. O compromisso nos mantém no caminho em direção a nós mesmos, mesmo quando dói. O tempo reconhece que nada é feito do dia para noite, sem esperas e hiatos. A técnica, que aqui compreende um emaranhado de terapias tradicionais ou não, nos habilita a nos observar melhor e mais profundamente.

Se por enquanto seu desafio for encontrar vontade, peça para tê-la. Se for o compromisso, exercite a disciplina. Se for o tempo, procure ter paciência. Se forem as técnicas, experimente aquelas que seu mundo te oferece que encontrará uma que fale sua língua. Só não deixe de se arriscar e embarcar nesta aventura, ela vale a pena!

Este texto encontrou inspirações nos ensinamentos de vários autores e correntes filosóficas. Especialmente entre eles estão o trabalho de Jean-Yves Leloup; Viktor Frankl e Eva Pierrakos.

Photo de Kim Henry e Éric Paré