Um convite à vulnerabilidade

O ano de 2016 me presentou com a tão sonhada liberdade. Liberdade para criar o meu caminho e a realidade que quero viver. A experiência de ser dona do meu próprio tempo me surpreendeu com uma enorme dose de alegria e satisfação, mas junto com ela me vi afogada na falta de rotina e no mar de possibilidades.

Foi um ano predominante mental e fazedor que me trouxe um novo olhar sobre a habilidade de me manter em equilíbrio. Nos 12 anos que trabalhei no mundo corporativo eu aprendi caminhos para manter o equilíbrio em relação as demandas e papéis do mundo externo. No ano que passou, trabalhei duro para manter meu mundo interno e emocional em equilíbrio diante de tantas mudanças e incertezas.

Um dos desafios de empreender com propósito é que o trabalho vira a vida e não é fácil desligar a chavinha e se permitir momentos de relaxamento e lazer. Ao tentar desligar a chave muitas vezes fui assombrada pela energia do medo, da culpa e da preocupação. Focada em manter o equilíbrio interno acabei esquecendo do equilíbrio externo, acabei cuidando pouco das minhas relações com minha família e com as pessoas queridas, acabei cuidando pouco do meu corpo físico.

Isso me fez aprender a importância da disciplina, do compromisso comigo mesma e do planejamento para ser capaz de gozar a liberdade com prazer. Aprendi a conversar com a culpa, entender e acolher a sua real origem. Aliás esse foi o meu maior exercício no último ano: ser gentil comigo mesma e aprender a abrir espaço para simplesmente ser, para buscar o equilíbrio entre o ser e o fazer.

Para ser capaz de abrir esse espaço precisei revisitar minhas crenças sobre preguiça, produtividade, e mexer fundo no vicio da preocupação e na vibração do medo. A prática do Mindfulness foi essencial na consolidação desse caminho de presença e sustentação da vibração energética em uma frequência elevada. E observando a natureza, curiosamente, compreendi que o desacelerar me move mais do que o acelerar.

As vezes ainda me pego me debatendo internamente com a culpa e com o medo, costumo brincar que todo dia cinco já sei que eles baterão na porta. Mas hoje eu consigo lidar melhor com eles e não permitir que entrem, baguncem tudo e me paralise.

Eu compreendi que são apenas projeções da minha mente sobre um futuro que não existe. No aqui e agora não tenho nada a temer, eu me preparei para essa transição. Eu compreendi que incluir tempos de “nadismo” na rotina e me manter no momento presente é essencial para abrir um espaço interno de produtividade, criatividade e satisfação insuperáveis.

O ano de 2016 também me presenteou com sete quilos a mais e me fez ampliar a consciência sobre um esquecimento do meu corpo físico e sobre os padrões de beleza que a sociedade nos impõe. Está sendo um grandíssimo exercício de aceitação e amor próprio, não posso dizer que aprendi porque ainda me sinto acima do peso e me pego lutando contra a balança. Gostaria de me sentir livre desses padrões. Para mim não é fácil assumir isso, mas ainda não cheguei lá.

No entanto, ganhei a consciência de que ao não me aceitar internamente eu sou a única pessoa responsável pela projeção de rejeição e o julgamento que me reprimem o prazer, o prazer da praia, da piscina, o prazer sexual e até o prazer de estar com as amigas. Tudo isso para evitar o julgamento. Um julgamento que na verdade não está nos olhos de ninguém eque existe exclusivamente em um único lugar, dentro de mim.

O ano que passou veio me ensinar que chegou a hora de enfrentar as vozes internas do medo da rejeição que ainda existem dentro de mim. Porque enquanto esse medo existir eu vou continuar me escondendo atrás das máscaras sociais e não conseguirei alcançar e muito menos sustentar a qualidade de conexão e a compaixão que tanto me move.

E em 2017 minha alma me convida para a expressão da minha vulnerabilidade, para a expressão autêntica do meu ser, como exercício para superar essas vozes internas que ainda se fazem presentes na minha mente. Esse texto é a minha resposta ativa a esse convite com um grande sim.

Nanda Biolchini

#LifeinBalance