29 de agosto

Poderia ser só mais um dia desse mês interminável, poderia ser só mais um dia corrido que passei ocupada com trabalho e compromissos. Poderia ser só mais um dia em que eu não me lembrasse de você.

Eu tento mas é impossível não reviver a memória daquele, que foi um dia tão doloroso, 29 de agosto.

Acordar pensando que aquela havia sido a ultima vez que dormi na minha cama, ultimo dia vivido no meu flat, ultima vez que vi o centro da cidade e tudo me passou pela cabeça, eu sentiria falta da cidade sim e de tudo aquilo, mas só de imaginar o momento que eu te veria pela ultima vez, meu coração saltava alguns batimentos e pedia socorro, eu temia que não fosse aguentar.

O dia passou e chegou o momento de por as malas no carro e partir, dar-te um ultimo beijo, um ultimo abraço e ver você me dizer tchau. Eu olhando pela janela da van e vendo o seu rosto ainda um pouco perdido, também sem saber o que aconteceria dali em diante. Minha única certeza naquele momento era que tudo aquilo havia sido recíproco. Importávamos um para o outro.

De todas as memórias que me machucam, 29 de agosto é a que mais dói. Apesar de a Terra agora estar completando uma volta inteira em torno do sol e ter me trazido de volta para este dia, por um instante eu fecho os olhos e parece que ainda estou no mesmo lugar: deitada na sua cama, ouvindo nossa playlist tocar The Killers e sendo interrompida pelo despertador me avisando: já são 23h, era preciso voltar para casa, terminar as malas e dar adeus de uma vez por todas. O sonho havia acabado, o sonho que vivi com você havia acabado, sim, mas com certeza me marcado para sempre.

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