A Fada

Seus olhos tinham um estranho brilho, algo etéreo e fantástico, que reluzia através daquela cor tão singular, não exatamente verde, mas também nada parecido com castanho, uma cor tão fantasiosa quanto o olhar em si.

Olhava pra gente com a ternura com que se olham filhotes, um misto de querer abraçar e afofar, mas ao mesmo tempo cuidar, amar, dedicar.

Quando falava seus olhos arregalavam, pela excitação do momento, como que querendo devorar o mundo, gravando, dessa forma, tudo dentro de si. Não falava apenas com sua voz, única. Falava com o corpo, com a alma. Suas mãos, extensão óbvia de seus pensamentos, gesticulavam no mesmo ritmo acelerado da voz, com vida própria, numa dança tão rápida, mas ao mesmo tempo tão graciosa, que ilustravam cada pequena engrenagem de seu cérebro fabuloso funcionando em perfeita harmonia.

Tinha um abraço que podia amparar o mais pesado coração, acalmando, acalentando, aconchegando. Não existia solidão diante de sua presença enorme, luminosa, quente.

Sua risada soava alta, alegre, contagiante. Podia ouvi-la de longe, e ao som da mesma, o sorriso já aparecia ‘essa minha amiga…’

Tinha coragem. Uma leoa (não à toa, nasceu sob esse símbolo forte), rugindo com quem lhe pisasse na juba, se metesse com sua gente, provocasse sua ira. Crescia, e na sua sinceridade ferina,. calava.

Amava com a intensidade de quem se joga na água em dia quente, mas nem por isso fechava os olhos para a realidade. Vivia, dessa forma, na linha tênue entre a veracidade cruel da vida e da fantasia utópica da perfeição.

Acreditava. Com toda a força da pessoa linda que era. Com a força da leoa. Com a intensidade de amar o mundo, mesmo com todas as suas nuances cinzas e pretas. Acreditava porque era, por si só, objeto de crença.

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