Em conflitos

Ela tirou a roupa, desfez o cabelo e a maquiagem. Pensou em ir pra rua, pois não gostava de chorar na frente da família. Vestiu o velho suéter preto e branco — pra combinar com a noite cinza.

Mais uma vez, seu coração se despiu da ilusões tecidas com ingenuidade. Mais uma vez, ela soltou lágrimas de angústia pelo homem que amava, porém nunca lhe pertencera. Homem este que não saía de sua mente nem por uma fração de segundo.

O telefone havia tocado (novamente), ele liga pedindo perdão (novamente), por te-la deixado só (novamente). Depois de algumas meias palavras, ele desliga, ela chora. Chorou porque se sentiu deixada em segundo plano, com fome de amor e implorando por migalhas. Torturada pelo anseio do toque e do afeto vindos do ser com o qual sonhava todas as noites.

Nessa noite de setembro, o frio de 12ºC ronda e tenta penetrar os corações apaixonados, mas sem sucesso. Todos os amantes estão confortando-se uns nos outros com palavras e afagos. Mas ela não. Põe suas meias furadas, se enrola nas cobertas e jura a si mesma arrancar da alma esse sentimento que doe, doe, doe …

Mas toda sua decisão cai por terra quando seu coração, já muito fraco e debilitado, insiste em lembra-la que ele, o hipócrita-miserável-mentiroso, é o homem mais apaixonante, lindo e exuberante que já conheceu.

Por fim, acaba culpando o pobre coração por todo seu sofrimento.

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