Política, poesia e outros caos.

Como enfrentar a difícil tarefa de fazer poesia em tempos como esses? E agora? E agora, Drummond?

Como expressar o reflexo de uma alma em conflito para um mundo externo com o triplo de conflitos?

Política afundando um país inteiro, racismo, homofobia, xenofobia, ataques terroristas, discursos de ódio, mortes, genocídios nas favelas… E agora, José?

Indígenas sendo mortos e agredidos, como sempre foram desde a chegada do povo do norte, Negros sendo exterminados pela polícia, homossexuais, que apesar de lutarem diariamente pelo respeito óbvio que lhes é devido, ainda morrem pelas mãos e pelas bocas de disseminadores de ódio .

A política, tema do momento (mas infelizmente, percebo que tem virado mais um viral de Internet) está um caos; seu contexto inclui um povo emburrecido desde sempre, que luta entre si a favor de ideologias que vão contra eles próprios. Líderes sem caráter, religiosos, pseudo-cristãos que querem mais é que esse mesmo povo que está se matando, se matem.

Aí eu te pergunto, E agora?

Realmente, como diria Durkheim, tal estado de caos e anomia é o ambiente propício para suicídios. Neste caso, a poesia é o sujeito suicida.

Ela que sempre foi a expressão de sentimentos e angústias, nesse momento seria grandemente produzida, mas a bagunça do lado de fora está tão grande e tão surreal, que o lado de dentro se cala, pasmo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.