Chegando lá

Queria acordar um dia e estar lá.

Onde sempre sonhei, no topo, na meta, no momento exato do suspiro aliviado que antecede a melhor constatação de todas: Cheguei.

Penso nas pessoas que admiro, os grandes poetas, escritores, gente de todo tipo, com histórias diferentes, mas com uma coisa em comum, todos chegaram lá.

Me pergunto se existe um momentinho de reflexão que preenche de alegria, instante em que apercebe-se que um caminho foi percorrido, dificuldades enfrentadas e que valeram as noites mal dormidas. E depois do lá, nada além do nirvana.

Queria acordar com livros publicados, projetos de sucesso e lindas poesias espalhadas pelo mundo. Tempo livre para a criação e dinheiro sobrando para investir no que me desse na telha. Amigos e familiares orgulhosos ao meu lado, constatando comigo, chegamos.

Mas quanto mais vivo e observo o mundo, mais percebo que o lá é ilusão. E que assim como todas as utopias, que servem para fazer a gente caminhar, é também importante manter um olhar desperto, de quem entende o poder do agora.

O lá, onde quer que esteja, só acontece a partir do processo, do pé atrás de pé. Nem todo plano minuciosamente pensado garante o sucesso idealizado. O ideal é muito para se exigir desse mundo caótico, onde tudo pode mudar o tempo todo.

Gosto de pensar que o lá é o agora. Fico menos frustrada se mantenho mansa a minha expectativa e reconheço que estamos constantemente recalculando rota.

Por isso, pensando melhor, acho que eu troco o meu lá. Ao invés de enfim chegar, eu prefiro estar: Aqui.