O Homem Coruja

Quando me fantasiava, me transformava em outra coisa. Monstro, entidade poderosa, simbologia movida a carne e osso, de intenções obscuras e sem limites. Mesmo parado, podia observar o medo nos olhos dos incrédulos. A necessidade de se proteger do que não se entende, enquanto o horror se expande em suas memórias.

Farsa que se torna real sem uma única palavra proferida.

A máscara, um punhado de roupas e alguns galhos nas mãos, era o necessário para despertar o senso de sobrevivência diante do desconhecido. Fosse eu ou qualquer outro idiota vestindo aqueles trajes de coruja, teríamos o mesmo poder de assustar homem, mulher ou criança naquela floresta.

Para mim, eu via o mundo tremer e recuar através de duas pequenas janelas mágicas, e para eles, eu era um homem vestido de coruja com intenções obscuras e sem limites.